Haddad afirma haver corrupção na gestão Kassab

Declaração ocorre após Serra citar em evento escândalo do mensalão, dizendo que não precisa 'responder pela sua honra junto ao Supremo'

BRUNO LUPION, O Estado de S.Paulo

16 de agosto de 2012 | 03h00

O candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou ontem haver indícios de corrupção na administração do atual prefeito da capital, Gilberto Kassab (PSD), afilhado político do adversário José Serra (PSDB).

As declarações foram dadas um dia após o tucano dizer em discurso que não precisa "responder pela honra junto ao STF", numa referência ao julgamento do mensalão, escândalo que tem petistas como principal alvo.

"Existe um debate sobre a corrupção na cidade de São Paulo; nós temos vários secretários municipais que estão respondendo a processos de improbidade", afirmou ontem o candidato petista, após debate com professores da rede municipal de ensino.

Entre os secretários de Kassab, Eduardo Jorge, da pasta do Verde e do Meio Ambiente, é acusado, assim como o próprio prefeito, de fraudar a licitação do serviço de inspeção veicular. Ambos são alvo de uma ação por improbidade administrativa. Kassab também responde a uma segunda ação de improbidade, que questiona a concessão de benefícios fiscais para a construção do estádio do Corinthians no bairro de Itaquera, zona leste.

O secretário de Saúde, Januário Montone, reponde a ação penal sob acusação de envolvimento com a máfia da merenda. Segundo a denúncia da Promotoria, Montone teria recebido R$ 600 mil de propina.

O Ministério Público também investiga o secretário de Controle Urbano, Orlando de Almeida, sob suspeita de cobrar propina para omitir fiscalização e liberar alvarás de funcionamento de estabelecimentos comerciais. Todos negam irregularidades ou ilegalidades e dizem que as ações e investigações são infundadas.

A Prefeitura de São Paulo afirmou, por meio de nota, que a atual gestão investiga "com rigor" todas as denúncias de irregularidades e é a que mais investiu no desenvolvimento e instalação de ferramentas de transparência.

Postura. O contra-ataque do petista marca uma mudança de postura em sua campanha. Até então, quando questionado sobre o mensalão, Haddad preferia, em vez de confrontar o passado dos adversários, exaltar seu currículo de gestor público supostamente livre de desvios éticos. "Temos que discutir a transparência na gestão pública com tranquilidade, (mas) não podemos nos omitir diante do que nós estamos assistindo em nenhum nível de governo", afirmou Haddad. Ele, no entanto, fez uma ressalva: o debate sobre a ética na política não deve ser o centro da agenda pública, pois há outros problemas a ser enfrentados.

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