NILTON FUKUDA/ESTADAO
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Haddad acusa Bolsonaro de já estar 'loteando o governo'; petista acredita que pode virar

Candidato do PT disse que se a rejeição ao oponente aumentar e a dele cair, como indiciou última pesquisa Ibope/Estado, ele vencerá a eleição

Renata de Carvalho, O Estado de S.Paulo

24 de outubro de 2018 | 10h05

O candidato do PT à presidência, Fernando Haddad, disse hoje, ao participar de sabatina na rádio CBN, que pode virar o resultado da eleição até domingo. Ele acusou o adversário do PSL, Jair Bolsonaro, de já estar "loteando o governo", sem ter apresentado ou discutido suas propostas, em clima de "já ganhou". Afirmou, porém, que se a rejeição ao oponente continuar a aumentar e a dele a cair, como indicou a pesquisa do Ibope/Estado divulgada ontem, Bolsonaro vai perder a eleição. "Banqueiros, empresário já fazem romaria (ao Bolsonaro). Estão loteando o governo. Não tenho um milionário do meu lado", resumiu.

Questionado se não faria uma autocrítica a respeito do envolvimento de seu partido em casos de corrupção, Haddad disse que não passaria a mão na cabeça de quem errou, frisou que nunca teve relação com os envolvidos, mas cobrou autocrítica também de Bolsonaro. "Não tenho um colega que desviou dinheiro (público). Em 18 anos de vida pública, ninguém nunca disse que deu um tostão para Fernando Haddad. Se teve gente do PT que errou, não vou ficar passando a mão na cabeça", afirmou.

Ele reclamou que Bolsonaro não está sendo submetido ao mesmo nível de cobrança que ele. "Todo dia Bolsonaro diz um impropério e não fazem nada. Passam a mão na cabeça dele", declarou, questionando que não se pediu ao oponente que fizesse "mea culpa porque apoiou torturador".

Haddad acusou o adversário de pinçar frases de seu programa, distorcer e colocar na internet, mas disse que a denúncia feita pelo jornal Folha de São Paulo sobre o suposto esquema em redes sociais diminuiu o fluxo de notícias falsas. Mesmo assim, para ele, o eleitor está a quatro dias da eleição sem saber o que o Bolsonaro fez em quatro mandatos como deputado federal e vai escolher o próximo presidente "às cegas".

"Bolsonaro é um soldadinho de araque. O problema é o que está por trás dele", disse, atacando novamente o general Hamilton Mourão, vice na chapa do PSL, que ontem acusou equivocadamente de ter sido torturador durante a ditadura militar.

Para Haddad, o maior desafio do PT no segundo turno é "reconectar" as periferias das grandes cidades a seu projeto político. Ele considera, porém, que o partido saiu vencedor do primeiro turno.

"A rejeição ao PT já é menor do que em 2016. PT,PSDB E MDB foram os partidos que governaram e tiveram envolvidos (em denúncias de corrupção), mas PT foi o único sobrevivente", disse. 

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