TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO
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Haddad acredita que fake news pode ter apoio no exterior

Em entrevista à Rede Minas, candidato do PT à Presidência nas eleições 2018 comentou a situação política do País após o pleito e se comprometeu ainda em combater a corrupção

Mateus Fagundes, O Estado de S.Paulo

15 de outubro de 2018 | 21h49

O candidato do PT à Presidência nas eleições 2018, Fernando Haddad, disse em entrevista exibida pela Rede Minas na noite desta segunda-feira, 15, que as fake news produzidas contra ele podem ter origem no exterior.

"Ninguém é ingênuo. O Brasil virou alvo de cobiça por causa do petróleo. Estão querendo criar confusão no continente, no Brasil e na Venezuela, por causa do petróleo", afirmou o petista.

Para Haddad, os eleitores estão expostos a "absurdos". "Dia desses me colocaram saindo de uma Ferrari. Pegaram uma foto minha na reinauguração do Autódromo de Interlagos. É um absurdo", disse. Nesta segunda-feira, o TSE marcou audiência com advogados de Bolsonaro e Haddad para tratar de notícias falsas na eleição.

Na mesma entrevista, Haddad aproveitou  para afirmar que toda a classe política foi demonizada nas eleições 2018 , e não apenas o PT. "Vivemos um período de demonização da classe política. Veja o caso do PSDB. O PSDB ficou quase nanico perto dos demais", afirmou Haddad.

O petista se comprometeu ainda em combater a corrupção caso seja eleito. "Com todo o impulso que o governo puder dar. Fortalecendo a PGR [Procuradoria-Geral da República], o Poder Judiciário, sou 100% a favor da Lava Jato. Não podemos, a pretexto disso, partidarizar uma operação tão importante como esta", afirmou. 

Economia

O candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, afirmou também que houve um erro de avaliação do governo em relação à queda dos juros e que, devido a isso, a reforma bancária é necessária.

"O Brasil tem um problema crônico que nós mesmos não enfrentamos. A gente achava que, quando a Selic baixasse, a taxa ao tomador iria diminuir. Mas o juro do banco não caiu. Eu achava que a Selic era o maior problema brasileiro no ponto de vista de crédito. Se não fizermos a reforma bancária, o juro não cai", afirmou o candidato. 

Ele negou ser contra a responsabilidade fiscal. "Não sou contra a responsabilidade fiscal, é um erro dizer isso. A Prefeitura de São Paulo ganhou grau de investimento pela Fitch na minha gestão. Mas a responsabilidade fiscal tem de ser inteligente. No governo Temer, por exemplo, houve corte de gastos com ajuda do (Jair) Bolsonaro. O déficit público não melhorou e a dívida pública, tampouco", afirmou o petista.

O candidato afirmou ainda que o patamar atual da dívida pública não é bom. "A gente tem de mostrar ao mercado a trajetória dela (da dívida pública). Não é cortando a aposentadoria rural, o benefício de prestação continuada que a economia vai melhorar. Ao contrário, vai piorar. O problema é de combo, de combinação de ações. Tem de cortar, mas saber cortar, sobretudo de privilegiados", disse o petista.

Haddad disse ainda que, se for eleito, o investimento deve vir também com apoio do capital privado. "Não vai ser só com investimento público que vamos resolver problemas, temos de ter parcerias", afirmou.

O petista se disse ainda preocupado com a eventual vitória de Jair Bolsonaro (PSL) devido à possibilidade de retrocesso em políticas públicas. Ele aproveitou ainda para criticar João Doria (PSDB), que o sucedeu na Prefeitura e é candidato ao governo paulista nas eleições 2018.

"Destruir é muito fácil, construir uma política pública é difícil. São anos para botar política pública de pé. Veja o que Doria fez com São Paulo. Se Deus quiser, o Doria não vai ganhar a eleição. Não por ideologia, mas pela destrutividade (sic) dele", afirmou.

Debates

Mais cedo, o candidato retomou as críticas ao seu adversário, Jair Bolsonaro (PSL), pela ausência nos debates. "Lamento que hoje eu não esteja debatendo com meu adversário. Estava marcado um debate hoje", afirmou, durante evento em homenagem ao Dia do Professor.

"Entendo por que meu candidato não participa do debate. A campanha dele está baseada em mentiras no WhatsApp. Se você desligar o WhatsApp por cinco dias, ele desaparece", afirmou o petista.

Haddad participou de ato no Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), no centro da capital paulista.

Professor universitário, Haddad tem grande apoio da categoria. Durante o evento, os presentes cantaram músicas de apoio ao petista. Na ocasião, a professora Maria Izabel Noronha, eleita deputada estadual em SP pelo PT, afirmou que a categoria não pode "usar de muito eufemismo" para dizer o que a outra candidatura representa para a categoria. "(Bolsonaro diz) Que nós professores trabalhamos com a farsa do kit gay. É mentira do candidato. Desafio ele a fazer essa pergunta do kit gay aqui. Vocês receberam esse kit gay?", questionou, ao passo que a plateia negou prontamente.

 

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