HACKER PÕE DADOS DE CONDENADOS NA INTERNET

Genoino recebe ligações, chama atitude de 'neofascista' e diz que tomará providências

RICARDO CHAPOLA, O Estado de S.Paulo

09 de janeiro de 2013 | 02h04

Um hacker causou confusão ontem ao divulgar no Twitter dados como telefone e CPF de petistas condenados pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do mensalão. O ex-presidente do PT, José Genoino, passou o dia recebendo ligações e se irritou. Já um vendedor paulistano que não tinha nada a ver com a história perdeu a conta de quantas vezes atendeu ao celular sendo chamado de "José Dirceu" - o número divulgado pelo hacker estava errado.

"É uma perseguição autoritária de neofascistas, uma perseguição individual. Vamos tomar providências", disse Genoino em entrevista ao Estado. O petista tem sido criticado por ter tomado posse na Câmara dos Deputados mesmo após ter sido condenado a 6 anos e 11 meses de prisão pelos crimes de corrupção ativa e formação de quadrilha. Suplente, ele obteve a vaga no Congresso após colega de partido deixar o posto para assumir uma prefeitura.

Além dos dados de Genoino, o hacker - que se identifica na rede social como @nbdu1nder - divulgou endereços, e-mails e os CPFs do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, condenado a 10 anos e 10 meses de prisão no julgamento do mensalão, e do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, condenado a 8 anos e 11 meses.

Procurados, nem Delúbio nem seu advogado deram entrevistas. Já o defensor de Dirceu, o criminalista José Luís de Oliveira Lima, afirmou que tomará medidas judiciais em reação ao que foi publicado sobre o ex-ministro. "Tomaremos todas as providências judiciais se a ilegalidade tiver sido mesmo cometida contra meu cliente", disse.

O telefone divulgado como sendo do ex-ministro da Casa Civil, porém, não era dele. Sobrou para um vendedor chamado Danilo, dono do número. "Eu não sou o Dirceu. Sou Danilo, moro na zona leste da capital. Sou vendedor e meus clientes não estão conseguindo falar comigo. Nos últimos 10 minutos, por exemplo, recebi mais de 50 ligações", afirmou o rapaz ao receber a ligação da reportagem.

'Protesto'. O Estado entrou em contato com o hacker por meio de mensagens no Twitter. Ele afirmou que a divulgação dos dados era um protesto. "O governo omite muitas informações. A população tem direito de saber quem está por trás do nosso Brasil", escreveu em resposta.

"Isto é só o começo. Muitas coisas ainda virão. Poucos perceberam, mas no texto que fiz, eu coloquei o banco de dados do Planalto. É certeza que informações sobre muitos outros envolvidos no mensalão serão divulgados", completou, sugerindo ter retirado os dados dos condenados de páginas oficiais do governo. A Secretaria de Comunicação do governo federal informou que "não há possibilidade de os dados sobre os três políticos em questão terem saído do site do Planalto" - Delúbio e Genoino, por exemplo, eram do PT; apenas Dirceu trabalhou dentro do Palácio do Planalto.

O hacker não respondeu a outras perguntas feitas pela reportagem. Em suas mensagens, ele encaminhava o leitor para uma página na qual oferecia dados dos petistas. Segundo o advogado especialista em crimes digitais, Renato Opice Blum, esse tipo de divulgação pode ser considerado crime se as informações sobre os dados forem publicadas contra a vontade de seus proprietários.

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