'Há risco de retrocesso', diz promotor sobre projetos que limitam MP

Pedro Abi-Eçab afirma que atuação da polícia ganha força com promotores e alerta para influência política

Fausto Macedo e Valmar Hupsel Filho - O Estado de S.Paulo

17 Junho 2013 | 02h04

O promotor de Justiça Pedro Abi-Eçab, secretário executivo do Grupo Nacional de Combate ao Crime Organizado, braço do Ministério Público, há 10 anos na carreira e doutor em Direito Constitucional pela PUC-SP, diz que a polícia sofre influência política.

A que atribui o cerco ao MP?

O Ministério Público, sempre atuando junto com outros órgãos de controle, tem colocado no bancos dos réus, e às vezes atrás das grades, uma casta que historicamente permaneceu saqueando impunemente os recursos do povo. A legislação ambiental foi enfraquecida com o novo Código Florestal e até mesmo o Supremo está na mira, com a proposta que lhe diminui os poderes. O País vivencia triste momento de ataque a direitos fundamentais por parte de setores específicos.

O que mais o preocupa?

O retrocesso diante da impunidade geral que resultará da eventual PEC 37. Qualquer leigo observa que a Polícia Civil não atua e não tem condições de atuar sozinha no combate à corrupção. Até mesmo a Polícia Federal pode mais junto com os demais órgãos. A polícia é instituição das mais valorosas, mas totalmente dependente do Executivo. Sofre muita influência política. Na luta contra a corrupção precisamos aumentar as forças e não diminuí-las.

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