Gurgel evita depor e diz que todos serão alvos da procuradoria

Pressionado pela base para investigar Perillo, procurador-geral afirma que ninguém será poupado, mas recusa CPI

MARIÂNGELA GALLUCCI / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

03 Maio 2012 | 03h08

Pressionado por integrantes da base aliada, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, disse ontem que não vai poupar suspeitos nas próximas fases da investigação da Operação Monte Carlo.

Gurgel afirmou que cabe ao Ministério Público Federal, como titular da ação penal, definir os rumos e estratégias da investigação. "O material do inquérito é muito vasto e está sendo analisado com o devido critério e a necessária prioridade. O Ministério Público Federal, como sempre, não se furtará a investigar quem quer que seja."

Ontem, Gurgel recusou o convite da CPI do Cachoeira para que ele prestasse informações sobre as investigações envolvendo o empresário do ramo de jogos ilegais Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

Gurgel recebeu o presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), e o relator da comissão, deputado Odair Cunha (PT-MG). O procurador disse que existem dificuldades jurídicas para o seu comparecimento à CPI do Congresso.

Segundo ele, um eventual depoimento à comissão poderá torná-lo futuramente impedido de atuar nos inquéritos e ações sobre o caso.

Horas depois, o procurador divulgou uma nota na qual disse ter feito um resumo do andamento das investigações para os congressistas. Ele afirmou que em 2009 recebeu um material relativo à Operação Las Vegas e, na ocasião, avaliou que não existiam elementos para tomar iniciativas no Supremo Tribunal Federal (STF). Investigações contra parlamentares têm de ser autorizadas pelo STF.

Segundo Gurgel, somente no início de março de 2012 a Justiça Federal em Goiás encaminhou o material relativo à Operação Monte Carlo. Nesse novo material, de acordo com o procurador, existiam indícios suficientes contra parlamentares.

"Assim, menos de 20 dias depois, em 27 de março, o procurador-geral da República requereu a instauração de inquérito no STF, anexando tudo o que recebeu nas duas oportunidades (operações Las Vegas e Monte Carlo)", justificou ele.

A suposta demora de Gurgel em desencadear investigações específicas contra parlamentares irritou aliados do Planalto, que entenderam que a estratégia do procurador teria beneficiado integrantes da oposição, como o próprio senador Demóstenes Torres (e ex-DEM e agora sem-partido-GO) e o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB).

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