Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Coordenador de campanha do PT no Ceará quer chamar Alckmin e Meirelles para palanque

Deputado José Guimarães também deseja que sigla conquiste a confiança do mercado e se abra ao diálogo

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

08 Outubro 2018 | 18h08

As mudanças no programa de governo de Fernando Haddad (PT) à Presidência e a amplitude das alianças no segundo turno já provocam queda de braço entre as correntes petistas. Coordenador da campanha de Haddad no Ceará, o deputado José Guimarães disse nesta segunda-feira, 8, que o partido deve deixar de lado as divergências e chamar para o palanque candidatos derrotados não só de esquerda, mas de centro, como o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) e até o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles (MDB), mais à direita.

As novas diretrizes para a campanha de  Haddad serão definidas nesta terça, em reunião da Executiva Nacional do PT, em São Paulo, e há no partido um clima de muita preocupação. Não sem motivo: a soma dos votos válidos conferidos aos candidatos derrotados da esquerda, como Ciro Gomes (PDT) e Guilherme Boulos (PSOL), não é suficiente para deter o avanço de Jair Bolsonaro (PSL). Além disso, as eleições já revelaram uma onda conservadora nas disputas por governos estaduais e também para a Câmara e o Senado.

“Há uma guerra declarada no Brasil. É a guerra das armas contra a democracia”, afirmou Guimarães. “Temos de dialogar com Ciro, Marina, Boulos, Fernando Henrique, Alckmin, Meirelles, todo mundo. Não é possível que quem tem compromisso com o Estado Democrático de Direito fique em silêncio.”

Haddad tenta conquistar a confiança do mercado e se apresentar como um político afeito ao diálogo. O ex-prefeito tem recebido conselhos para mostrar, no segundo turno, que não será o “espelho” do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso da Lava Jato. Seu grupo quer, por exemplo, que ele destaque “marcas próprias” nessa etapa da campanha.

Não há, porém, acordo com o núcleo político mais próximo a Lula sobre como seria essa “independência”. Nesta segunda-feira, por exemplo, Haddad visitou o ex-presidente em sua cela na Polícia Federal, em Curitiba.

Na avaliação de Guimarães, além de articular uma ampla frente com partidos,  governadores e figuras de destaque na sociedade, o PT precisa pôr logo a campanha do segundo turno na rua e apresentar um novo programa ao País.

A convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte, antiga bandeira do PT incluída na plataforma de Haddad, deve ser deixada de lado. O tema é considerado “um gol contra” até pelo candidato, mas até agora não foi retirada por pressão de tendências mais radicais.

A proposta serviu para associar o PT à Venezuela, que vive grave crise política e econômica. No ano passado, uma Assembleia Constituinte no país vizinho aprovou decreto permitindo ao colegiado o poder de aprovar leis, competência que cabia anteriormente apenas ao Congresso.

“A Constituinte está no programa, mas não é uma profissão de fé. A tradição do Brasil não é a da Venezuela. É a de respeito às regras”, argumentou Guimarães. Para o deputado, ajustes no programa de governo são necessários, porque agora o documento será o de um leque maior de aliados.

“Nessa nova correlação de forças precisamos dialogar com o centro, com o mercado e com todo mundo. Temos de fugir da arma, da violência e navegar na estabilidade política. Não podemos ir para a eleição com terrorismo”, insistiu Guimarães. “Espero que a reunião da Executiva do PT sinalize para essa ampliação.”

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