Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Guilherme Boulos: 'Ungido' por Lula busca seu espaço

Contra o sistema, incisivo nas críticas à direita e exaltando a militância pregressa, candidato do PSOL lembrou o Lula de 1989; leia também os perfis de Vera Lúcia (PSTU) e João Goulart Filho (PPL)

Matheus Lara, O Estado de S.Paulo

07 Outubro 2018 | 05h00

Nos momentos finais da última fala pública de Lula (PT) antes de se entregar à Polícia Federal e ser preso na Lava Jato, Guilherme Boulos (PSOL), junto com Manuela D’Ávila (PCdoB), foi “ungido”. Puxando os dois à frente no comício em São Bernardo do Campo, o líder petista disse se orgulhar dos dois e da perspectiva de tê-los como candidatos a presidente neste ano.

Em sua primeira investida na política, Boulos tentou nas eleições 2018 se mostrar como um candidato contra o sistema, incisivo nas críticas à direita e exaltando sua militância pregressa. Lembrou o Lula de 1989. Mas a aparente inspiração e mesmo a “bênção” do petista, porém, não foram o suficiente para alavancar a candidatura do líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto.

Com pouca exposição e abertura e vendo a esquerda fragmentada, Boulos chega à eleição marcado pelo discurso contra a ditadura, feito no último debate em referência à Jair Bolsonaro (PSL). Uma última tentativa de se fazer lembrar que pode estar lá.

Vera Lúcia: 'Rebelião' em tempos de ódio

A candidatura de Vera Lúcia, do PSTU, à Presidência da República, foi na contramão dos discursos de pacificação e união no atual momento tenso da política nacional e, desde o primeiro dia de campanha, mandou o recado de que só uma “rebelião” seria capaz de resolver os problemas do País. Uma rebelião da classe trabalhadora, que em sua avaliação se sente “traída” pelos governos petistas e é chamada a dizer “chega”.

Vera Lúcia assumiu o posto de Zé Maria, presidente do partido que disputou quatro vezes a Presidência, sem sucesso. Apesar de ser candidata, Vera disse durante sua campanha que “não se muda nada com eleição” e que a democracia seria uma “farsa” a ser denunciada. Contra o sistema capitalista, tentou ao menos deixar claro o recado de um dos menores partidos do País e que mais uma vez se candidatou à Presidência. Um ato de rebeldia em busca de relevância e à espera de algum desdobramento.

João Goulart Filho: Atrás do saudosismo dos anos 60

O filho do ex-presidente João Goulart, candidato pelo PPL à Presidência da República, apostou quase todas as suas fichas no saudosismo relacionado ao governo das “reformas de base” para tentar aparecer. Jango foi figura constante no material de sua campanha.

Na reta final antes do primeiro turno, chegou a visitar em São Borja (RS) o cemitério onde estão os túmulos de seu pai e também o de Leonel Brizola, seu tio e liderança histórica do PDT, partido ao qual chegou a ser filiado até o ano passado. 

João Goulart Filho tentou personificar a memória trabalhista. “O nacional desenvolvimentismo prega a distribuição de renda via o salário mínimo. Não existe hoje outra maneira de nós distribuímos renda no nosso país”, disse à TV Globo. “Essa é a proposta do nosso partido, do resgate do mercado interno como pretendia o governo João Goulart, em 1964, quando foi derrubado por um golpe militar, através das reformas de base.”

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.