Grupo retoma campanha contra agentes da ditadura

Por Comissão da Verdade, Levante Popular promete nova onda de atos contra acusados de participar da repressão militar

ROLDÃO ARRUDA / SÃO PAULO, TÂNIA MONTEIRO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

09 de maio de 2012 | 03h02

Uma nova série de manifestações contra pessoas acusadas de terem participado de atos de violações de direitos humanos, no período da ditadura militar, está programada para a próxima semana. Segundo seus organizadores, os protestos vão se intensificar até que a presidente Dilma Rousseff instale oficialmente a Comissão da Verdade.

As manifestações serão realizadas mais uma vez diante da residência ou local de trabalho de agentes de Estado que teriam participado de atos de sequestro, tortura e ocultação de cadáveres de prisioneiros políticos. O objetivo é denunciá-los e expô-los publicamente. Esse tipo de protesto é copiado da Argentina, onde ganharam o nome de escracho. No Brasil tem sido chamado de esculacho.

Quem assume a responsabilidade pela organização é o movimento Levante Popular. Segundo um de seus porta-vozes, Edson Rocha Junior, o objetivo é pressionar a presidente a instalar a comissão, criada em novembro. Para isso, falta nomear as sete pessoas que farão parte dela.

Ainda segundo Rocha Junior, quando a comissão for instalada não haverá mais necessidade desse tipo de protesto. Os primeiros esculachos foram realizados no fim de março.

Tensão. Nas Forças Armadas, a proximidade do anúncio dos nomes dos integrantes da comissão elevou a temperatura. Particularmente no Exército. Os militares parecem convencidos de que a comissão terá por objetivo "reescrever a história" e não se conformam com isso. Estão preocupados também porque só se fala em nomes para a comissão que tenham ligações com os chamados grupos de direitos humanos, sem um representante que possa contar a versão deles.

Entre os cotados para assumir a comissão estão o ex-ministro da Justiça José Carlos Dias, o ex-deputado e promotor de Justiça Antônio Carlos Biscaia e a amiga de Dilma, que foi sua advogada nos tempos de repressão, Rosa Maria Monteiro da Cunha.

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