Grupo quer Demósteners fora do MP

Um dia após o grupo de 82 promotores estaduais e federais de Goiás pedir ao Conselho Nacional de Ministérios Públicos o afastamento do ex-senador Demóstenes Torres do cargo de procurador de Justiça, a Corregedoria-Geral do órgão divulgou nota defendendo a atual investigação administrativa em andamento e negando "inércia" no processo.

RUBENS SANTOS, ESPECIAL PARA O ESTADO, GOIÂNIA, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2012 | 03h07

Em resposta à pressão pela saída do ex-senador, o corregedor-geral Aylton Flávio Vechi, do Ministério Público Estadual, afirmou, em nota, que as acusações contra Demóstenes estão sendo investigadas. Segundo o comunicado, a corregedoria "não vislumbra razão" para mais um pedido de afastamento do ex- senador por "conduta violadora do dever funcional".

No entendimento dos promotores, ao ser cassado por quebra de decoro e acusado de ligações com o empresário de jogos Carlinhos Cachoeira, Demóstenes Torres teve seus direitos políticos suspensos. Logo, não poderia exercer a função de procurador de Justiça.

Com esse mesmo argumento, o grupo prepara uma ação por improbidade administrativa contra Demóstenes, seu irmão Benedito Torres, que é o procurador, e também contra o corregedor Aylton Flávio Vechi.

"Ele está com a sua capacidade eleitoral passiva suspensa até o dia 31 de janeiro de 2027", disse o promotor Reuder Motta, da 3.ª Promotoria de Justiça em Itumbiara (GO), e porta-voz do grupo. Segundo ele, isso significa que, no período de 15 anos, o ex-senador poderá votar, como eleitor, mas não poderá ser candidato. Se não pode ser votado, também não pode exercer função pública, argumenta Reuder.

O grupo de promotores cita o fato de o ex-senador responder a um processo no Tribunal Regional Federal da 1ª Região que investiga a existência de indícios da prática de crimes de corrupção passiva e prevaricação.

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