Grupo pode ser recordista de permanência no poder

Vitória de Pezão daria ao ex-governador Cabral e aliados o mais longo ciclo político no comando do Estado do Rio em 20 anos

Wilson Tosta, O Estado de S. Paulo

25 de outubro de 2014 | 21h09

RIO - Uma vitória hoje de Luiz Fernando Pezão (PMDB) na disputa pela reeleição ao Palácio Guanabara possibilitará que seu padrinho político, o ex-governador Sérgio Cabral Filho, patrocine o mais longo ciclo político das últimas duas décadas no Rio. Significará que o grupo cabralista completará ao menos doze anos no comando do Estado, tendo vencido três eleições para governador e duas para a prefeitura da capital. Os seguidores de Cabral também se cacifarão a disputar com chances a sucessão do prefeito do Rio Eduardo Paes (PMDB) em 2016. 

Seria um domínio inédito no Rio desde a retomada das eleições diretas para os governos estaduais, nos anos 1980. Leonel Brizola (1922-2004) foi quem chegou mais perto. Ele ganhou as eleições para governador em 1982 e 1990 e elegeu os prefeitos da capital em 1985 e 1988. Foi derrotado na tentativa de fazer seu sucessor em 1986 e na eleição para a prefeitura do Rio de 1992. Este resultado marcou a sua derrocada no Estado e precedeu a derrota de 1994 - ficou atrás do nanico Enéas Carneiro (Prona) na corrida presidencial. 

Outros chefes políticos no Rio do período posterior a 1982 não tiveram desempenho semelhante ao grupo de Brizola e, se confirmado, de Cabral. Saído do trabalhismo de Brizola, Anthony Garotinho se elegeu em 1998 e fez da mulher, Rosinha Garotinho, sua sucessora em 2002. Apoiou a eleição de Cabral em 2006, mas rompeu com ele. Agora, tentou retomar o posto em 2014, mas ficou fora do 2.º turno, em terceiro lugar. 

Outro egresso do trabalhismo, Marcello Alencar (1925-2014) foi para o PSDB e foi eleito governador pelo partido em 1994. Não conseguiu fazer seu sucessor. Desde então, os tucanos não se recuperaram no Rio. O partido é, no Estado, um ator político irrelevante, com bancadas minguadas e influência reduzida. 

Depois que se aproximou do PT nacional no 2.º turno da eleição de 2006, Cabral viveu um período de grande projeção. Foram anos marcados pela proximidade com o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pela obtenção de verbas federais para financiar grandes obras e pela atração de grandes eventos, como Copa do Mundo e Olimpíada, para o Estado. 

Em seu segundo mandato, o sucesso não se repetiu. A presidente Dilma Rousseff manteve relação mais distante com o então governador. Ele entrou em um período conturbado, marcado por problemas pessoais e políticos, incluindo uma greve de bombeiros. 

As manifestações de 2013, marcadas por forte repressão da Polícia Militar, e o movimento Fora, Cabral, fizeram a popularidade de Cabral desabar. Com sua eleição para o Senado inviabilizada, ele renunciou ao governo e se recolheu para fazer política nos bastidores, desaparecendo da vida pública. 

Assim, Cabral evitou inviabilizar a eleição de Pezão. Hoje, quando forem abertas as urnas, será possível saber se a estratégia funcionou.

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