Grupo monitorava os adversários de Agnelo

Policial federal aposentado ditava, por telefone, os e-mails a Dadá, conforme escutas da Operação Monte Carlo

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

01 de julho de 2012 | 03h10

Suspeito de fazer interceptações ilegais para o grupo de Carlinhos Cachoeira, o policial federal aposentado Joaquim Thomé Gomes Neto ditava por telefone, não raro informando o dia e o horário de recebimento, mensagens trocadas entre adversários políticos do governador Agnelo Queiroz (PT-DF) e de terceiros.

As informações eram repassadas ao araponga Idalberto Matias, o Dadá, em ligações que foram gravadas pela Polícia Federal. Ex-assessor de Agnelo na Casa Militar do Governo do Distrito Federal, Marcello Lopes, o Marcelão, também é suspeito de envolvimento no esquema.

Em grampos deste ano, a PF flagrou o repasse de dados do deputado federal Fernando Francischini (PSDB-PR) e do ex-deputado Alberto Fraga (DEM-DF). Numa das conversas, em 14 de fevereiro, Thomé diz a um homem não identificado: "Mandei levantar os e-mails e mandei abrir um para mostrar ao cara."

Buriti. No dia seguinte, ele descreve a Dadá uma suposta mensagem do deputado tucano, na qual se discutia o contato com uma fonte do Buriti: "Do nosso amigo para o Francischini, às 15h14", relatou. "Vou fazer o possível, porque o rapaz está com medo de que descubram ele no Palácio", prosseguiu Thomé.

No dia 17 do mesmo mês, Dadá cobra do policial aposentado: "Tem alguma posição aí para o Marcelão?" A resposta de Thomé: "Tinha oito lá que não tinha a ver com nada. Logo mais vou fazer outra varredura".

Em 27 de fevereiro, dois dias antes de a Operação Monte Carlo ser deflagrada, Dadá volta a cobrar: "Falei para o 'xará', para o Marcelão, que dava uma posição até meio-dia". Numa ligação posterior, Thomé refere-se a uma investigação da Procuradoria-Geral da República: "Do nosso amigo para o Fraga, hoje, às 12h34: 'O negócio do empresário do Gama. O doutor Gurgel precisa oferecer logo essa denúncia'".

No mesmo dia, Thomé pergunta se Dadá quer que abra outro "baralho" ("e-mail") para os investigadores da PF e informa o preço: "O nosso amigo está usando dois. Se o pessoal quiser, ele reflete os dois e cobra mais dez".

Reação. Thomé negou ao Estado ter interceptado e-mails, dizendo que se referia nos telefonemas a posts dos blogs do DF. "Eles publicam muita coisa. Eu tirava minhas interpretações", alegou, "e mandava para o Dadá". Para o advogado de Dadá, Leonardo Gagno, não há prova de interceptações nos autos: "Isso é conjectura da PF". / F.F.

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