Grupo mantém cerco a consulado na Guiana Francesa

Pescadores e garimpeiros que acusam o Brasil de roubar recursos naturais locais ganham agora adesão de madeireiros

JAMIL CHADE / GENEBRA , O Estado de S.Paulo

05 de fevereiro de 2013 | 02h03

Madeireiros e políticos da Guiana Francesa aderiram ao cerco que pescadores locais estão promovendo contra o consulado brasileiro em Caiena. Bloqueando as ruas que dão acesso ao consulado desde o final da semana passada, os trabalhadores da Guiana insistem que barcos e empresas brasileiras têm "violado a soberania" do território e levado de forma ilegal os recursos naturais da região.

A manifestação começou na sexta-feira, quando pescadores colocaram caminhões ao redor do consulado para protestar contra a pesca feita por brasileiros em águas da Guiana. No fim de semana, o Sindicato dos Garimpeiros aderiu ao protesto, alegando que seus filiados também sofrem com a imigração irregular de brasileiros que estariam garimpando ouro na região.

Ontem, foi a vez dos madeireiros. "Está claro que esse é um fenômeno que não atinge apenas uma classe de trabalhadores", disse ao Estado a diretora do Sindicato de Pescadores da Guiana, Patricia Triplet. "A imigração de trabalhadores brasileiros está afetando a todos. Não se trata de um protesto contra o Brasil. O que queremos é que o governo francês entenda que estamos sofrendo por conta dessa exploração ilegal e que exija dos brasileiros uma providência real", declarou.

Os trabalhadores começam a ganhar o apoio de políticos locais. Segundo a sindicalista, uma reunião realizada ontem numa barraca montada na rua do consulado estabeleceu que o cerco será mantido "até que alguém nos escute". Patricia conta que, apesar de o protesto entrar pelo seu quinto dia, o governo brasileiro ainda não enviou uma delegação oficial para dialogar com os manifestantes.

"Apenas tivemos hoje um incidente com um funcionário que chegou até a barragem que criamos e ordenou que retirássemos tudo, caso contrário ele chamaria a polícia. Mas acho que a polícia não o atendeu, pois ninguém veio nos tirar", completou.

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