Grupo de Marina já admite nova sigla

No encontro do movimento suprapartidário 'Nova Política', em BH, participantes dizem que é possível aglutinar interesses no futuro

CRISTIANO MARTINS , ESPECIAL PARA O ESTADO /, BELO HORIZONTE, O Estado de S.Paulo

19 de dezembro de 2011 | 03h07

Em meio às críticas ao atual cenário político e eleitoral no Brasil, alguns representantes do movimento "Nova Política", liderado pela ex-senadora Marina Silva (sem partido), admitiram que a articulação muito provavelmente dará origem futuramente a uma nova legenda.

Apesar de a ex-presidenciável do PV negar reiteradamente que o objetivo do grupo seja a criação de uma nova sigla visando a eleição de 2014, durante o segundo encontro nacional do movimento, neste fim de semana, em Belo Horizonte, representantes dos partidos PPS e PSOL - que eram maioria no evento - avaliaram que não haveria dificuldades para uma futura composição.

"Cada sigla tem centenas de milhares de filiados, e é impossível imaginar que todos vão pensar da mesma forma sempre. Não é tão difícil encontrar pontos em comum", avaliou a pré-candidata do PPS à Prefeitura de São Paulo, Soninha Francine.

Soninha ressaltou que a disputa eleitoral não está entre as prioridades do grupo, mas disse acreditar em efeitos práticos dos encontros já em 2012. "Essas reuniões nas capitais, por exemplo, aproximam líderes locais com alguma identificação", observou.

A tese foi reforçada pelo deputado federal Jean Wyllys (PSOL). "O impacto vai depender das proporções que o movimento tomar e do fato de surgir um novo partido ou não. A possibilidade existe. Alguns ficarão nos seus partidos, outros trocarão, e outros formarão um novo", afirmou Wyllys, minimizando a polêmica sobre a fidelidade partidária.

"Digo isso abertamente, porque estou muito contente no PSOL, mas as pessoas têm direito de mudar quando não houver mais alinhamento ideológico", afirmou o deputado.

Evasiva. Bombardeada pelos jornalistas com perguntas sobre seu futuro, Marina mais uma vez foi evasiva e disse não saber se disputará a próxima eleição presidencial.

Pouco antes, a também ex-presidenciável Heloísa Helena (PSOL) havia declarado apoio desde já à eventual candidatura da ex-senadora pelo Acre.

Marina insistiu que o objetivo do movimento Nova Política é "discutir ideias e propostas". Ela, no entanto, foi categórica ao afirmar que não pretende filiar-se a nenhuma sigla entre as já existentes.

"Não se pode criar um partido por causa de eleição. Não tenho cadeira cativa como candidata e essa é uma questão que vai se colocar lá na frente", desconversou a ex-senadora. Alguns participantes do movimento Nova Política, contudo, levantaram dúvidas sobre a eficácia da atuação fora dos partidos.

"No Brasil, para se intervir na política, é preciso estar filiado a um partido", afirmou a ex-senadora Heloísa Helena, que chegou a se dizer disposta a deixar sua sigla "para servir ao povo brasileiro".

Movimentos sociais. Já o deputado Jean Wyllys ressaltou que muitas vezes as filiações partidárias não estão necessariamente combinadas com os interesses da população. Ele citou os movimentos sociais para exemplificar o que chamou de "independência" entre esses interesses e as filiações partidárias.

"Eles (os movimentos) são pluripartidários e tocam suas pautas de forma independente. Acabei de vir da Conferência LGBT, por exemplo, que é um movimento maior que os partidos e, por isso, acaba se impondo", disse.

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