Grevistas voltam a confrontar Planalto

Com buzinas, faixas e grades derrubadas, servidores parados criticam Dilma e o PT, ignoram pressões e mostram disposição de resistir

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2012 | 03h07

Em mais um dia de confrontos entre grevistas e policiais militares em frente ao Palácio do Planalto, servidores do Poder Judiciário e do Ministério Público da União fizeram ontem uma barulhenta manifestação, derrubaram grades de proteção e até atrasaram a cerimônia de arreamento da bandeira diante do Palácio.

Com rojões, buzinas, faixas e bandeiras, os manifestantes tentam chamar a atenção para suas reivindicações. O governo insiste em sua oferta de 15,8% de aumento para servidores do Judiciário, em três anos - porcentual que a categoria rejeitou como "humilhação".

Havia faixas criticando o PT, por não conceder os reajustes - "PT nunca mais", dizia uma delas. Outras pediam "autonomia do Judiciário". Os servidores também entoaram "Fora Dilma, fora PT, nunca mais queremos te ver" e "Ôô, ôo, a ditadura voltou".

A PM calculou, na praça, 500 manifestantes - e os sindicalistas, 2.500. O ultimato da presidente Dilma Rousseff, que mandou cortar o ponto e até demitir os grevistas que tiverem cometido ilegalidades, produziu efeito contrário entre os servidores da Receita, da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e Polícia Federal (PF), chamados de "sangue azul" por receberem os salários mais altos. As três categorias recusaram os 15,8% de reajuste e decidiram ampliar o movimento pelo País - o que poderá provocar mais caos nos próximos dias nos setores de importação e exportação, estradas e aeroportos.

Confronto. A manifestação começou em frente à sede do Supremo Tribunal Federal - onde prosseguia o julgamento do mensalão. Depois, os servidores seguiram para o Palácio do Planalto, onde entraram em confronto com a PM, quando alguns servidores derrubaram algumas grades. No momento do protesto, o ministro-chefe da Advocacia-Geral da União, Luis Inácio Adams, estava no gabinete do secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho,

Próximo à janela do gabinete de Carvalho, no 4.º andar, diante da praça, Adams narrava para algumas pessoas o protesto, gesticulando e imitando a ação dos policiais que davam cacetadas nos manifestantes que derrubaram as grades. Paus e líquidos foram atirados nos PMs, que revidaram com spray de pimenta. Enquanto o batalhão de choque da PM cercava uma parte do palácio, o Exército, mais uma vez, estava na parte mais próxima à entrada do Planalto. De acordo com o tenente-coronel Antônio Carlos, responsável pelo policiamento, não houve feridos nem servidores presos. "Foi uma manifestação tranquila, sem muitos problemas", afirmou.

Correios. O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, advertiu ontem os funcionários dos Correios de que, se entrarem em greve, os dias parados serão descontados. A categoria pede reajuste de 43,7%, piso salarial de R$ 2.500 e aumento linear de R$ 200 para todos os empregados. "Vamos controlar com rigor a presença e descontar dias, horas e minutos", disse ele. "Chega um momento em que não tem conversa: parou, tem de descontar."

A pressão dos servidores por reajuste fez com que a PM do Distrito Federal aumentasse o contingente de 60 para 400 homens na Esplanada dos Ministérios. As constantes manifestações têm feito a presidente Dilma Rousseff deixar o expediente no Planalto, à tarde, pela porta dos fundos. / RAFAEL MORAES MOURA, TÂNIA MONTEIRO, EDUARDO BRESCIANI, VANNILDO MENDES e VERA ROSA

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