Greve nas federais gera embate entre PT e PSDB

Após tucanos criticarem Haddad por 'herança maldita' no MEC, petistas reagem e atacam políticas educacionais das gestões FHC e Kassab

DAIENE CARDOSO , AGÊNCIA ESTADO , RICARDO CHAPOLA , ESTADÃO.COM.BR, O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2012 | 04h21

A cúpula petista e também o pré-candidato à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad (PT), rebateram a estratégia dos tucanos de ligar a atual greve das universidades federais, que atinge 80% das instituições, ao ex-ministro, como mostrou ontem o Estado. Parlamentares do PSDB e o presidente nacional do partido, deputado Sérgio Guerra, disseram que a paralisação é fruto de uma "herança maldita" deixada por Haddad. Os tucanos também disseram que Haddad só fez "universidades no papel".

Os petistas foram ao contra-ataque. O presidente nacional do PT, Rui Falcão, saiu em defesa de Haddad. "Se o PSDB do pré-candidato José Serra pretende usar a greve nas universidades para atacar o pré-candidato petista, vai se dar mal", disse Falcão. "Em todos os momentos em que a oposição tenta tirar proveito de situações desse tipo, ela se dá mal. É o caso da crise financeira de 2008", argumentou.

Sem propostas. Na opinião do dirigente petista, no momento certo haverá uma solução negociada entre governo e sindicato dos professores. Segundo ele, faltam propostas para a oposição que, por sua vez, prefere o caminho do ataque. "Toda vez que a oposição não tem projetos e propostas para um País que está indo bem, ela busca se valer de circunstâncias naturais no Estado democrático para tirar proveito."

O pré-candidato petista também defendeu-se na base do ataque. "Eu duvido que alguém tenha saudade dos tempos do FHC", disse Haddad ontem, após reunião com líderes do núcleo LGBT na Associação da Parada do Orgulho Gay de SP.

Ele se referia à gestão do Ministério da Educação durante o mandato do ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso. "O PSDB tem um viés antissocial e antinacional. São fiéis a esses vieses, que não estão no nosso DNA", criticou Haddad. "Estou há cinco meses afastado do ministério. Eu me solidarizo com os 20% de estudantes que ainda não receberam uniforme escolar em São Paulo; com os 32% dos estudantes que não têm professores contratados nas escolas. Na minha opinião, o PSDB deveria estar preocupado com o estado da educação em São Paulo, que é muito grave", rebateu. À noite, a assessoria da Secretaria Municipal de Educação disse que a afirmação de Haddad não corresponde à realidade da rede paulistana.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.