'Governos reinventam perseguição', diz SIP

Encontro da Sociedade Interamericana de Imprensa foi concluído com documento aprovado pelos representantes empresariais de 21 países

GABRIEL MANZANO , ENVIADO ESPECIAL/ PUEBLA, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2013 | 02h05

A Sociedade Interamericana de Imprensa encerrou ontem sua Reunião de Meio de Ano em Puebla, no México, dizendo que a liberdade de imprensa "continua sendo minada por governos autoritários e intolerantes que aumentam e reinventam as formas de perseguição ao jornalismo".

O documento final, aprovado pelos representantes empresariais dos 21 países presentes, entre eles o Brasil, denuncia também "uma violência que parece não ter limites" praticada contra jornalistas no continente. Para a sessão de encerramento, o presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, se dispôs a mandar um representante, seu secretário de Educação, Emilio Chuayffet. Na semana passada, o presidente havia mandado dizer que não iria ao encontro de imprensa. A próxima reunião da entidade está marcada para outubro em Denver, nos EUA.

Na despedida, o presidente da SIP, Jaime Mantilla, comemorou o aniversário da Declaração de Chapultepec (aprovada em 11 de marco e 1994) e destacou que, pela primeira vez em 50 anos, o relatório sobre Cuba foi feito por alguém vindo da própria ilha - no caso, a blogueira Yoani Sánchez, que ocupa uma das vice-presidências da entidade. Por sua vez, o representante do presidente mexicano abordou as ameaças diárias contra jornalistas do país, de parte das quadrilhas de narcotraficantes. "Agredir um jornalista é agredir toda a sociedade", disse Chuayffet.

Áreas de perigo. O balanço semestral menciona oito nações onde a imprensa se expõe a maiores perigos: Argentina, Equador, Venezuela, Bolívia, Cuba, Honduras, Nicarágua e Panamá. Alguns desses governos "não só proclamam como põem em prática as mais elementares normas de uma democracia republicana". E para defender seus projetos, eles criam "imensos aparatos de propaganda estatais e privados".

O texto adverte em seguida para a nova arma de "presidentes autoritários": a publicidade. A SIP diz que está em marcha "um novo e impressionante ataque" contra a estabilidade dos jornais. Ele consiste nas pressões para que as empresas privadas retirem seus anúncios dos meios independentes. O fenômeno já havia aparecido no passado recente no Peru e ressurge agora na Argentina, onde, segundo a entidade, grandes anunciantes suspenderam seus anúncios por medo de represálias tributárias.

Diante disso, afirma o documento produzido no encontro, "o jornalismo crítico corre o risco de não sobreviver". A SIP pede às empresas que tenham "um comportamento digno e de acordo com os valores da democracia e da liberdade de expressão".

Nos relatórios por país, que em Puebla provocaram longos debates, o Brasil menciona duas mortes nos últimos seis meses e destaca como desafios a censura judicial, a impunidade e a lentidão da Justiça. O da Argentina ressalta que "o pior golpe dos últimos tempos foi o boicote publicitário". O da Venezuela denuncia "a ocultação e manipulação das informações sobre a saúde do presidente (Hugo Chávez)", que causaram "um estado geral de incerteza no país". E o do Equador enumera estratégias adotadas pelo presidente Rafael Correa no "cerco" do qual os empresários dizer ser vítimas. O texto cita que Correa considera "incongruente que empresas privadas garantam o direito público de acesso à informação".

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