Governo vacila e oposição convida suspeito a depor

Requerimento aprovado propõe depoimento do ex-diretor da Anac, Rubens Vieira; líder do PT disse que ele não vai

ROSA COSTA, DENISE MADUEÑO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2012 | 02h01

Um cochilo do governo permitiu ontem a aprovação, na Comissão de Infraestrutura do Senado, do requerimento que chama para depor, como convidado, o ex-diretor da Agência Nacional de Avião Civil (Anac) Rubens Rodrigues Vieira. Rubens e seu irmão, Paulo Rodrigues Vieira, ex-diretor da Agência Nacional de Águas (ANA), estão presos acusados de comandar o esquema de venda de pareceres técnicos de órgãos federais.

O líder do PSDB, senador Alvaro Dias (PR), apresentou seu requerimento no início da sessão, antes da chegada do líder do PT, senador Walter Pinheiro (BA), um dos governistas encarregados de impedir que a oposição convide para depor os envolvidos no escândalo. Estavam presentes apenas o senador tucano e Wilder Morais (DEM-GO).

O líder petista prevê, porém, que Rubens Vieira não atenderá ao convite. "A Anac não tem nenhum problema em tirar o cara da cadeia para que ele venha depor... ele não vem", ironizou. Pinheiro reiterou a posição do governo de autorizar o depoimento, no Congresso, só dos dirigentes de órgãos envolvidos, não dos servidores. Para Alvaro Dias, a estratégia do governo é outra: impedir que os servidores denunciados ajudem a aprofundar a investigação.

Fora o cochilo, os aliados do Planalto cumpriram o roteiro estabelecido. A base aliada manteve o controle das votações dos requerimentos de convocação. Um único requerimento foi aprovado, o que convida o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, para audiência pública na Comissão de Fiscalização Financeira em conjunto com a de Segurança Pública.

Os requerimentos da oposição não foram votados na Comissão de Fiscalização e Controle. No Senado, a CCJ aprovou o comparecimento de Cardozo e de Adams.

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