Governo suspende votações até pacificar a base aliada

Decisão do Planalto é deixar Congresso em banho-maria por duas semanas, que vão coincidir com viagem de Dilma à Índia e de Michel Temer à Coreia

Denise Madueño e Eugênia Lopes, de O Estado de S.Paulo

23 de março de 2012 | 03h07

BRASÍLIA - No dia seguinte à série de derrotas na Câmara, a articulação política do governo suspendeu por duas semanas a votação da Lei Geral da Copa e do Código Florestal. Com a base rebelada, os projetos não entrarão na pauta antes do dia 11 de abril. Depois de várias reuniões no Palácio do Planalto, os articuladores da presidente Dilma Rousseff decidiram não ceder à exigência dos aliados de votar o código antes da Lei da Copa. Também está fora dos planos do governo marcar uma data para votação do código.

Nas próximas duas semanas, o líder do governo, Arlindo Chinaglia (PT-SP), vai se dedicar à busca de um acordo para apaziguar a base e garantir os votos nos dois projetos de acordo com o texto defendido pelo Planalto.

Enfático, o líder do PT, deputado Jilmar Tatto (SP), afirmou nessa quinta-feira, 22, que a base não pode pôr "a faca no pescoço" do governo. "A base não pode, gente! A base falando publicamente, pedindo para marcar a data (para votar o Código Florestal). Que história é essa?", disse.

O calendário das próximas duas semanas contribui para a estratégia do governo de ganhar tempo e conquistar votos. Com a viagem, a partir de domingo, de Dilma para a Índia e a do vice Michel Temer para a Coreia do Sul, o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), assumirá a Presidência da República, esvaziando o comando da Casa.

"Nós vamos tentar na próxima semana equilibrar a situação, que pode ocasionar uma postergação das discussões e dos debates para quarta e quinta-feira, em função da minha ausência da Câmara, e da própria ausência da presidenta do País", disse ontem Maia. Na semana seguinte, o Congresso entrará em recesso branco, com o feriado da Páscoa.

Desafio. Na avaliação do governo, a Lei da Copa já tem votos suficientes para ser aprovada de acordo com o texto original do governo. O acerto foi feito com a retirada do artigo que deixava clara a permissão para venda de bebidas alcoólicas nos estádios de futebol. O desafio do Planalto agora é tentar convencer seus aliados na Câmara a não mudar o texto do Código Florestal aprovado no Senado.

Nos próximos dias, Chinaglia vai discutir o conteúdo do projeto com a base. Depois que os deputados ruralistas, os evangélicos e a bancada do PMDB se uniram, o governo reconhece que hoje seria novamente derrotado na Câmara. "Não podemos descaracterizar o Código Florestal", argumentou Tatto.

Anteontem, o governo sofreu uma série de derrotas na Câmara, que culminou com a suspensão da votação da Lei da Copa. O líder petista contribuiu para piorar o clima na sessão ao classificar os ruralistas de "predadores". "Eu não falei mal dos ruralistas, eu não falei mal dos produtores rurais. Eu falei dos predadores da agricultura. Não sei se alguém vestiu a carapuça", afirmou o líder petista.

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