Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

'Governo quebrado não resolve problema de crescimento ou saúde’, diz Meirelles

Em evento Estadão-Faap, Henrique Meirelles (MDB) defende teto de gastos e diz que, ‘se promessas resolvessem, o Brasil seria uma maravilha’

Adriana Ferraz, Ana Beatriz Assam e Matheus Lara, O Estado de S.Paulo

06 Setembro 2018 | 06h01

Quinto candidato a participar da série Estadão-Faap Sabatinas com os Presidenciáveis, Henrique Meirelles (MDB) afirmou  na quinta-feira, 5, que a volta do crescimento sustentado da economia depende do equilíbrio das contas públicas. “Governo quebrado não resolve problema de crescimento, educação, saúde e segurança”, disse ele. O ex-ministro da Fazenda falou também sobre drogas, ao se posicionar contra a prisão de usuários de maconha. Segundo ele, o consumo da droga deve ser “desincentivado”, o tráfico combatido, mas o usuário não deve ser punido com cadeia. Meirelles ainda se posicionou contrário à liberação de armas no campo.

Abaixo os principais trechos:

MACONHA. Meirelles afirmou que o governo deve combater o tráfico, com policiamento de fronteiras, sistema de informação unificado e tecnologia. “Mas não é solução colocar um jovem com maconha na prisão. Nunca fumei maconha nem cheirei cocaína. Se alguém quiser consumir, acho que deve ser ‘desincentivado’. Mas não acho que tem que ser preso por consumo.”

“Sou contra a liberação de armas. Isso vai dar tragédia. Dizem que a polícia não funciona, mas é para isso que existe o governo. Não dá para a polícia abdicar de seu dever de defender o cidadão. Quem vai fazer o julgamento de quem é bandido?”. Sobre o aborto, disse ser favorável ao direito da mulher, mas também à aplicação da lei atual, que criminaliza o aborto, com exceções.

CRESCIMENTO. O candidato afirma que o Brasil ainda não iniciou uma retomada mais intensa da economia em função da expectativa relacionada à eleição. Com a promessa de criar 10 milhões de empregos em quatro anos (apesar de dizer que não é “crível” criar mais de 2 milhões por ano), Meirelles afirmou que o primeiro passo para obter crescimento econômico é equilibrar as contas públicas. “Governo quebrado não resolve problema de crescimento, educação, saúde e segurança.” 

INDULTO A LULA. Quando questionado se daria, caso eleito, indulto a Lula, Meirelles disse que toma decisões baseadas na Justiça. “Não de deve politizá-la de nenhuma maneira”, afirmou, sem responder claramente a pergunta. Ele ainda disse que não acredita que o País se divida entre quem gosta ou não de Lula, de Temer ou do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. “Para mim se divide entre quem trabalha e quem não trabalha.”

FORO A TEMER. Sobre a possibilidade de dar foro privilegiado ao presidente Michel Temer a partir de janeiro de 2019, Meirelles afirmou que não faz nomeação nem assume o cargo antes da hora. “Agora, as nomeações que já fiz são inquestionáveis. Não houve diretor de Banco Central da minha época que tenha sofrido investigação ou processo. Nenhum secretário do Ministério Fazenda no período que estive lá sofreu investigação ou processo. Então, esses são esses os meus critérios e serão claramente utilizados.”

MINISTÉRIOS. “Se promessa resolvesse problema, o Brasil seria uma maravilha. Gosto de falar como fiz. Propus e foi aprovada uma mudança de estatuto da Caixa (Econômica Federal), que historicamente tinha viés ideológico nas indicações de vice-presidente. As indicações de vice-presidentes passaram a ser feitas por conselho independente, não pelo presidente. Teve reclamação, teve, mas passou. Está começando. São critérios objetivos. A pessoa pode ser membro de partido. A participação é bem-vinda, mas as pessoas têm que ser atuantes para a política melhorar. Tem que ter competência, experiência.”

TETO DE GASTOS. Meirelles defendeu o teto de gastos, aprovado sob sua gestão na Fazenda, e ressaltou que ele tem mecanismos autocorretivos, como o veto a aumento de salário de servidores e de incentivos fiscais para setores da economia, mas afirmou que o resultado efetivo dessa política depende da aprovação da reforma da Previdência. “A Previdência não é uma questão fiscal, mas de justiça social.”

EDUCAÇÃO. O candidato se compromete a priorizar o ensino infantil, ainda não universalizado no País. Apresentou um projeto que estende o ProUni para creches, batizado de Pró-Criança, no qual o governo pagaria creche particular para famílias de menor renda. Para os ensino fundamental e médio, a proposta é repassar verba federal para escolas municipais e estaduais de acordo com critérios de desempenho dos estudantes.

SUS 100% PÚBLICO. Meirelles afirmou que, em princípio, o acesso ao SUS deve continuar sendo 100% público. Segundo o presidenciável, o sistema terá maior eficiência quando for informatizado. “O cartão permite marcar horário, tudo eletronicamente, para ser atendido com recursos de informação disponíveis desde o grande hospital até pequenas unidades de saúde. Fica mais eficiente e o custo cai.”

DÉFICIT E VALE GÁS. Afirmou que é possível zerar o déficit público no próximo governo, mas, diferentemente do que propõe Alckmin, isso não é possível de ser alcançado em dois anos. “Não parece factível.” Sobre a proposta do tucano de pagar metade do preço do botijão de gás para famílias de baixa renda, Meirelles afirmou que não se pode prometer reduzir gasto criando um novo.

“O que eu proponho, para o gás e o óleo, é criarmos um fundo de estabilização nos moldes dos países produtores de petróleo. Quando o preço cai muito, aumenta um pouco o tributo para capitalizar este fundo. Quando sobe e passa do nível razoável, você baixa o tributo com recursos do fundo para compor o orçamento.”

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