Governo paulista empregava ex-assessor de Bruno Covas preso com R$ 102 mil

Radialista Mário Welber era funcionário comissionado da Cetesb, de onde pediu demissão nesta quarta-feira, 15

Chico Siqueira , ESPECIAL PARA O ESTADO

16 de outubro de 2014 | 22h18

SÃO JOSÉ DO RIO PRETO - O radialista Mário Welber, colaborador da campanha do deputado Bruno Covas (PSDB), preso com R$ 102 mil e cheques em branco, era funcionário comissionado da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), de onde pediu demissão nesta quarta-feira, 15. Oficialmente, ele prestava serviços na agência de São José do Rio Preto, onde também era suplente de vereador pelo PSDB.

De acordo com a diretora de Recursos Humanos da Cetesb, Cristina Elias de Lima, Welber foi contratado em 11 de janeiro de 2013 para a função de Assessor Técnico I, com salário de R$ 9.546,00. Segundo ela, Welber “alegou motivos particulares” ao entregar a carta de exoneração na quarta-feira. A demissão deve ser publicada nesta sexta-feira no Diário Oficial do Estado.

Segundo a diretora da Cetesb, ele estava afastado quando, em 27 de setembro, foi detido pela Polícia Federal com R$ 102 mil em dinheiro e 16 cheques em branco no Aeroporto de Congonhas tentando embarcar para Rio Preto. Os cheques tinham a assinatura do contador da campanha de Bruno Covas e eram endereçados ao coordenador da região de Rio Preto, Ulysses Terceiro. Cristina disse que Welber se afastou em 31 de julho, retornou ao cargo em 13 de outubro (segunda-feira) e pediu demissão dois dias depois.

A Cetesb não informou se ele cumpria diariamente as funções. “Ele trabalhava na agência de São José do Rio Preto. Fazia atendimento à imprensa local e ações de educação ambiental com a comunidade, além de atendimento às prefeituras”, disse Cristina.

O pedido de demissão ocorreu após Welber prestar depoimento à PF, quando disse que o dinheiro era de economias de suas atividades como assessor da Cetesb, conferencista e cerimonialista. Essas economias, feitas desde 2010, seriam usadas para comprar um carro em São Paulo. 

Welber também trabalhou como assessor de Covas na Secretaria do Meio Ambiente em 2012, ano em que se candidatou a vereador em Rio Preto. A PF tem 30 dias para analisar documentos e a versão de Welber e decidir se dá prosseguimento ao inquérito que apura lavagem de dinheiro.

Aparelhamento. Para o deputado João Paulo Rillo (PT), Covas precisa dar explicações de um possível aparelhamento da Secretaria do Meio Ambiente. A reunião do Conselho de Ética da Assembleia que debateria o caso ontem não ocorreu por falta de quórum. A reportagem não conseguiu ouvir Bruno Covas ontem. Também não localizou Welber. 

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