O Estado de S.Paulo

10 de fevereiro de 2012 | 03h06

Enquanto os partidos travam uma disputa retórica sobre as privatizações, um levantamento feito pelo economista Felipe Salto, da Consultoria Tendências, mostra em números que a transferência de patrimônio público para a iniciativa privada foi menos intensa no governo de Luiz Inácio Lula da Silva em relação à gestão de Fernando Henrique Cardoso, mas não foi interrompida em nenhum dos oito anos de mandato do petista.

De 2003 a 2010, as receitas de concessões somaram R$ 15,8 bilhões, ante R$ 31,45 bilhões no governo FHC. Esses valores não consideram a inflação. Colocados em pé de igualdade, tendo como referência dezembro de 1997, as privatizações da gestão tucana somaram R$ 28,3 bilhões e as de Lula, R$ 8,2 bilhões.

"Embora o ápice das privatizações e concessões tenha ocorrido com FHC, elas continuaram com Lula. Então talvez não seja ruptura, e sim continuidade, estimulada por questões externas, como a Copa e a Olimpíada, que levam o governo a buscar meios de aumentar os investimentos", analisou Salto.

O levantamento mostra que Lula não deixou de obter receitas com concessões em nenhum ano. O maior volume foi recolhido em 2008: R$ 6,1 bilhões. No primeiro ano de governo, Dilma Rousseff registrou o ingresso de R$ 3,9 bilhões em recursos desse tipo.

Salto acredita que os concessionários dos aeroportos - leiloados por R$ 24,5 bilhões em contratos de 20, 25 e 30 anos - poderão antecipar pagamentos à União, pois o edital prevê que o BNDES pode financiar até 80% do empreendimento. O financiamento pesado abre espaço para as empresas negociarem descontos para pagamento antecipado. "É uma forma de impactar pesadamente o caixa do Tesouro." Num ano em que o governo tem dificuldade para fechar as contas, a manobra pode ajudar.

Essa hipótese foi levantada também por Fernando Montero, economista-chefe da corretora Convenção Tullet Prebon. Em 1999, ele lembra, o governo FHC recebeu antecipadamente receitas da venda da Telebrás, ocorrida em 1998, melhorando as contas públicas em ano de recessão.

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