Governo fecha acordo com 90% de grevistas

Balanço indica que 30 das 35 categorias paradas aceitaram os 15,8% oferecidos; novo Orçamento não prevê aumento para quem não assinou

VANNILDO MENDES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2012 | 03h07

De um total de 35 categorias do serviço público em greve, 30 assinaram acordo ou sinalizaram que vão aceitar a proposta do governo de 15,8% de reajuste salarial, fatiado em três parcelas de 5% ao ano de 2013 a 2015, segundo balanço parcial divulgado ontem pelo secretário de Relações do Trabalho do Ministério do Planejamento, Sérgio Mendonça. Isso representa 90% do universo de servidores que sentaram à mesa de negociação. "É um dado superimportante, a imensa maioria sinalizou que virá assinar o acordo", comemorou o secretário.

O ministério montou um plantão para receber as adesões até a madrugada desta quarta-feira. Se não houver possibilidade de assinar com todos fisicamente, ele previu que alguns acordos poderão ser firmados ao longo do dia. Na sexta-feira, a presidente Dilma Rousseff manda ao Congresso a proposta de Orçamento. As categorias que não assinaram a adesão ficarão sem reajuste em 2013. "Quem decidiu não assinar, nós só voltamos a discutir no ano que vem e o impacto ficará para 2014", avisou Mendonça.

Entre os rebelados estão os agentes e servidores administrativos da Polícia Federal, os auditores e analistas da Receita e os servidores do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). A Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) convocou assembleia para amanhã, em Brasília, com os sindicatos em todos os Estados para definir o novo calendário de greves e protestos até o final do ano em defesa do plano de carreira. O governo discute um plano de contingência para evitar transtornos à população e pode acionar Forças Armadas, polícias estaduais e a Força Nacional de Segurança Pública.

A primeira boa notícia do dia para o governo veio da Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef), que representa os servidores administrativos de diversos ministérios e órgãos públicos integrantes do chamado "carreirão". Reunidos em 18 carreiras, eles somam o grosso do funcionalismo, num total de 510 ativos, inativos e pensionistas. Entre estes, está o pessoal da Saúde, Previdência, Trabalho, Cultura, Fazenda, Agricultura, Planejamento, Transportes, além de Arquivo Nacional, Imprensa Nacional e Embratur.

Ao longo do dia, segundo Mendonça, várias outras categorias mandaram emissários ou telefonaram avisando que aceitam o acordo. Entre estas, para alívio do governo, estão categorias estratégicas, como a dos controladores de voo, fiscais agropecuários e os técnicos e analistas das agências reguladoras. Um a um, foram chegando trabalhadores da área de ciência e tecnologia, do grupo de seguridade social e da área de trabalho e previdência. No dia anterior, já havia aderido ao acordo o pessoal da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que goza de prestígio e liderança na área de saúde.

A folha salarial dos servidores da União totaliza cerca de R$ 150 bilhões hoje. O impacto dos reajustes chegaria a mais de R$ 20 bilhões em três anos, se todos assinassem o acordo. "São folhas muito diferentes e eu prefiro fazer a conta amanhã (hoje), quando todas os acordos estiverem fechados", explicou Mendonça. Só com o carreirão, o impacto será de R$ 3,9 bilhões. Com o grupo educação, a conta ficou em R$ 7,1 bilhões. O secretário informou que a reversão do corte dos dias parados é uma negociação posterior que depende do retorno dos grevistas ao trabalho.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.