Governo e oposição terão alvos distintos na CPI do Cachoeira

Comissão será instalada hoje; opositores miram Planalto, que quer vincular caso ao PSDB, imprensa, MP e Judiciário

JOÃO DOMINGOS, EUGÊNIA LOPES, VERA ROSA / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2012 | 03h07

Após provocar divergências até entre o governo e o PT, a CPI do Cachoeira será criada hoje, numa sessão do Congresso Nacional marcada para as 10h30. O ato, porém, é mera formalidade. Oposição e governo já definiram seus alvos preferenciais na investigação. A oposição mira o Planalto que, por sua vez, quer vincular Carlos Cachoeira ao PSDB, a setores da imprensa, do Ministério Público e do Judiciário.

"O alvo é o governo. Vamos entrar 100% no ataque", resumiu o líder do DEM na Câmara, ACM Neto (BA). "Se houver indícios de participação da mídia e do Judiciário no esquema de Cachoeira, vamos convocar, investigar e propor a punição", afirmou o líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP).

Preocupado com os rumos das investigações, o governo deflagrou uma operação para controlar a CPI, interferindo na escolha dos nomes da base aliada que serão escalados para integrar a comissão. Os partidos têm até terça-feira para indicar seus representantes. A corrente majoritária no PT quer indicar o deputado Cândido Vaccarezza (SP) para a relatoria, mas ele é desafeto da ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) e enfrenta resistências no Planalto. Nos bastidores, auxiliares de Dilma observam que é preciso cuidado na escolha dos nomes porque maioria na comissão não significa, necessariamente, maioria de votos.

No duelo entre governo e oposição, ACM Neto e Tatto adiantaram outros alvos que vão mirar durante os trabalhos da CPI. "Queremos ir fundo. Chamar o Waldomiro Diniz (o ex-assessor de José Dirceu que apareceu em vídeo pedindo propina a Cachoeira), o próprio José Dirceu, que foi consultor da Delta, e o governador Agnelo Queiroz. Vamos propor a quebra do sigilo fiscal, telefônico e bancário deles", afirmou ACM Neto.

Tatto, por sua vez, disse que as evidências de envolvimento com Cachoeira por parte do governador Marconi Perillo (PSDB-GO) "são muito grandes". Para ele, a CPI deve convocar o tucano para prestar depoimento. O petista discorda, no entanto, da convocação de seu correligionário Agnelo Queiroz. Não vê nenhuma ligação do governador do Distrito Federal com Cachoeira, embora assessores dos dois lados apareçam nas gravações da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal.

Lula. O vice-presidente Michel Temer, o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves, o presidente do PMDB, Waldir Raupp, reuniram-se ontem com Lula em São Paulo. Ao contrário do que tem dito a petistas, Lula afirmou ontem que não incentivou a CPI do Cachoeira como vingança à revelação do escândalo do mensalão. "O presidente disse que CPI exige muita seriedade e equilíbrio", contou Alves.

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