Governo diz ter situação de imigrantes no Acre 'sob controle'

Enviado do Ministério da Justiça a Brasileia, no Acre, afirma ter regularizado documentação de quase a metade dos 1.341 estrangeiros, a maioria haitiana

Pablo Pereira, de O Estado de S.Paulo

15 Abril 2013 | 02h14

Um mutirão feito por força-tarefa de servidores federais em Brasileia, no Acre, regularizou a situação de pelo menos 608 imigrantes que já tinham o protocolo da Polícia Federal, mas aguardavam andamento para solicitar carteira de trabalho de estrangeiro no País vivendo precariamente em um abrigo improvisado.

A regularização foi informada ontem pelo secretário Nacional de Justiça, Paulo Abrão, enviado a Brasileia pelo Ministério da Justiça para aliviar a pressão na fronteira do Acre com o Peru. "Depois de um dia e meio de trabalho da força-tarefa, a situação em Brasileia está sob controle."

O local abrigava ontem, oficialmente, 1.341 pessoas. Entre os imigrantes da rota do Acre há haitianos, senegaleses, além de cidadãos da República Dominicana, Nigéria e Índia. Nos últimos 25 dias, o fluxo migratório na fronteira entre Brasil e Peru provocou a lotação do abrigo que estava preparado para atender entre 200 e 250 pessoas. A luta pela sobrevivência dos haitianos que fogem da tragédia do terremoto de 2010 se agravou, e a disputa por um prato de comida ficou tensa durante quinta e sexta-feira, como mostrou reportagem publicada ontem pelo Estado.

"Estamos também organizando um apoio social no abrigo", disse Abrão. Ele afirmou que serão construídos 20 banheiros com chuveiros para uso separado de homens e mulheres. O acampamento tinha, até sexta-feira, pelo menos 150 mulheres, 30 delas grávidas. Depois de meses dormindo em colchões doados, caixas de papelão, sem local de higiene pessoal, eles tiveram na semana passada a instalação de banheiros químicos no terreno ao lado do galpão sem paredes que lhe serve de abrigo.

De acordo com Abrão, os imigrantes, que estão no Brasil na condição de refugiados da catástrofe que devastou o Haiti há três anos, terão mantida a alimentação. Também serão construídas tendas com mesas e cadeiras para servir de refeitório. Até este fim de semana, as pessoas disputavam no braço as cerca de 1,7 mil quentinhas servidas três vezes ao dia, fornecidas por uma empresa contratada pela Secretaria de Direitos Humanos do Acre. No final da semana, o secretário de Direitos Humanos do Acre, Nilson Mourão, afirmara que o dinheiro já havia acabado e que o fornecimento estava "no fiado", após serem gastos R$ 3 milhões com a assistência aos refugiados.

Vacinação. Segundo o secretário Nacional de Justiça, a força-tarefa quer concluir também a vacinação dos imigrantes contra febre amarela, hepatite B e tétano. Sobre as dificuldades agravadas nos últimos dias, quando o governador Tião Viana (PT) decretou situação de emergência e criticou a ausência de Brasília no caso, Abrão diz que o governo federal vinha acompanhando a situação por informações do próprio governo do Acre. "Vínhamos fazendo repasses de recursos para atender à necessidade. Ocorre que nos últimos dias chegou um grupo muito grande de pessoas."

Ele afirmou ainda que esse fluxo migratório é excepcional e deve ser atendido com medidas especiais. Segundo Abrão, o governo fará um cadastro com perfis via Polícia Federal para acompanhar a situação dos imigrantes.

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