Governo desvincula espionagem de Obama

Em entrevista à CNN, Dilma afirma que ações de agentes dos EUA no Brasil resultaram de uma reação aos atentados do 11 de Setembro

Claudia Trevisan, correspondente em Washington, O Estado de S. Paulo

10 de julho de 2014 | 21h54

Washington - A presidente Dilma Rousseff disse em entrevista transmitida nesta quinta-feira, 10, pela CNN que a responsabilidade pelos atos de espionagem que levaram ao cancelamento da visita aos Estados Unidos, em 2013, não é da administração Barack Obama. Para ela, as ações da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) são decorrentes de um “processo” desencadeado após os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001.

A presidente adotou na entrevista à jornalista Christiane Amanpour um tom mais ameno do que o usado no passado para se referir às revelações de que a NSA havia monitorado suas comunicações e as de outras autoridades e cidadãos brasileiros e ao cancelar a visita de Estado.

A vinda do vice-presidente Joe Biden ao País, há cerca de um mês, foi a deixa para o governo brasileiro passar a tratar o caso como águas passadas. A segunda visita em dois anos foi considerado por Dilma um gesto diplomático suficiente.

Na entrevista à CNN, a presidente corroborou esse fato e disse que os EUA “deram vários passos” para responder às preocupações brasileiras quanto à espionagem. Mas Dilma ressaltou que continua a exigir que a Casa Branca dê a garantia de que essas ações não se repetirão. “Isso não implicou nenhuma ruptura com o governo Obama. Implicou simplesmente colocar as cartas na mesa e dizer: ‘Olha, isso é impossível’”, disse.

A entrevista foi realizada na manhã da quarta-feira, em Brasília. Um pequeno trecho sobre a derrota do Brasil para a Alemanha, na Copa do Mundo, foi apresentado no mesmo dia.

‘Novo ciclo’. Perguntada sobre a economia, Dilma atribuiu o baixo crescimento do País em seu governo à crise financeira de 2008, mas lembrou que a desaceleração conviveu com baixos índices de desemprego e voltou a falar que é preciso “um novo ciclo” de desenvolvimento.

Dilma foi perguntada sobre a tortura que sofreu durante o regime militar, nos anos 1970. “O pior era o choque elétrico. É a forma mais... é uma dor que anda”, afirmou. “Não podemos aceitar, em lugar nenhum do mundo, a ocorrência de tortura, sob qualquer alegação.”

Lembrada por Amanpour de que ainda há policiais no Brasil que recorrem à tortura, a presidente respondeu que esse é “um dos maiores desafios” do País. “O combate à criminalidade não pode ser feito com os métodos dos criminosos. Muitas vezes isso ocorre, e não podemos também deixar intocada a estrutura prisional brasileira.”

A entrevistadora disse que Dilma e a alemã Angela Merkel são duas grandes líderes mundiais e perguntou se a condição feminina mudava o exercício do poder. “Mulheres líderes políticas são vistas como duras, frias, cercadas de homens meigos. Nem uma coisa nem outra é verdade”, afirmou a presidente. / COLABOROU LISANDRA PARAGUASSU

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