Governo de SP vai cortar R$ 1,5 bi do orçamento

Governador admitiu contingenciamento para 2012, sem citar o valor, e afirmou ser uma precaução diante da crise internacional

GUSTAVO PORTO / RIBEIRÃO PRETO, GUSTAVO URIBE / SÃO PAULO, AGÊNCIA ESTADO, FERNANDO GALLO / SÃO PAULO, O Estado de S.Paulo

29 de dezembro de 2011 | 03h04

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), confirmou ontem que o Orçamento do Estado, R$ 156,6 bilhões, já aprovado pela Assembleia Legislativa no último dia 15, sofrerá um contingenciamento preventivo em função da crise internacional. O Estado apurou que o corte será de aproximadamente R$ 1,5 bilhão.

Alckmin garantiu, contudo, que os investimentos previstos para o próximo ano serão os menos afetados. "Vamos sempre procurar ser criteriosos na área de custeio e pisar no acelerador do investimento", disse o governador, após participar de solenidade de entrega de casas em Ribeirão Preto.

O tucano pregou cuidado com os gastos públicos, porque, segundo ele, "há uma incerteza em relação à economia mundial". "Não acho que vai ter catástrofe", ponderou, em seguida.

As previsões mais conservadoras sobre o crescimento do PIB nacional para 2012 e a alta da inflação alarmaram também o governo paulista, justificando, segundo membros do governo, o congelamento de recursos.

"Quando o Orçamento foi feito, a previsão era de 5% de crescimento da economia e 4% de inflação. Terminamos o ano com crescimento de 3%, abaixo do previsto, e inflação de 6%, acima do previsto. Por isso precisamos cautela", defendeu Alckmin.

Segundo o secretário estadual da Fazenda, Andrea Calabi, o montante do contingenciamento não está "precisamente definido", mas deve ser de fato da ordem de R$ 1,5 bilhão. "Não quero entrar em detalhes porque ainda estamos fazendo estimativas e definindo políticas. Mas a gente já sabe que tem algumas pastas que ficarão de fora (de cortes), como Educação, Saúde", antecipou Calabi.

O secretário destacou ainda "a tradicional atenção do governador com a parte de custeio".

A expectativa de integrantes do governo estadual é de que a meta de cortes seja similar ao do ano passado. No início de 2011, do total de recursos congelados, R$ 1,259 bilhão eram voltados a investimentos.

"Os investimentos para 2012 devem ser menos afetados do que foram em 2011", antecipou um dos membros do governo.

Custeio. Além do ajuste fiscal, o governador de São Paulo informou na semana passada, em reunião com a equipe de governo, que pretende deixar de gastar R$ 2,7 bilhões em custeio até o final de sua atual administração. Para 2012, a economia deve chegar a R$ 900 milhões.

O corte de gastos com água, energia, telefonia, combustível, entre outros, tem como objetivo assegurar a capacidade de investimento do governo estadual até 2014, ano em que o tucano deverá disputar a sua reeleição ao Palácio dos Bandeirantes.

No início de abril, o governador já havia pedido ao seu secretariado que entregasse um cronograma de cortes em gastos de custeio para os quatro anos de sua gestão.

A meta inicial era economizar anualmente entre R$ 1 bilhão e R$ 1,2 bilhão para aplicar, em especial, no campo social, em uma tentativa de recuperar espaço em uma área considerada uma das principais vitrines eleitorais do PT.

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