Reprodução/Youtube
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Governo de Goiás abre investigação sobre vídeo em que PMs pedem voto para Bolsonaro nas ruas

Oficial foi afastado e responderá a inquérito; nas imagens, aproximadamente 40 policiais marcham e cantam a favor do candidato do PSL

Renan Truffi, O Estado de S.Paulo

23 de outubro de 2018 | 20h17

BRASÍLIA - A Secretaria de Segurança Pública (SSP) de Goiás informou nesta terça-feira, 23, que determinou a abertura de uma investigação para apurar os fatos em torno de um vídeo, que circulas nas redes sociais, no qual policiais militares do Estado fazem um treinamento, em vias públicas, enquanto cantam a favor do voto no candidato do PSL à Presidência nas eleições 2018, Jair Bolsonaro

Nas imagens, aproximadamente 40 policiais – vestindo calça, coturno e utilizando armamento do Estado – marcham e cantam: “Ei, cidadão, por favor, não se esqueça, dia 28 é Bolsonaro na cabeça. Ei, cidadão, por favor, fica contente, ano que vem é Bolsonaro presidente.”

A manifestação política aconteceu em Luziânia, cidade a aproximadamente 200 quilômetros de Goiânia, com policiais ligados ao 5º Comando Regional. A reportagem apurou que os PMs estavam em horário de expediente e faziam a chamada "educação física militar", realizada nas ruas do município.

"Em relação aos episódios envolvendo policiais militares pedindo voto para um candidato à presidência da República, a Secretaria de Segurança Pública determinou abertura de procedimento investigativo para apurar os fatos e tomar as medidas legais cabíveis", informou a SSP por meio de nota.

Após a repercussão, o Comando Regional emitiu uma nota desautorizando qualquer manifestação política de oficiais do batalhão. “O comando da corporação não autoriza nenhuma manifestação política e eleitoral realizada por militares da instituição, quando em serviço, instrução, e principalmente com a utilização de fardamento, quer seja administrativo ou operacional”, disse a PM em nota. 

O comandante regional, Coronel Marques Nunes de Azevedo, confirmou ao Estado o afastamento do oficial que estava responsável pelo treinamento e a abertura de Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar as responsabilidades desse PM. "Não autorizamos nenhum tipo de manifestação política porque nós somos os guardiões, principalmente das eleições. O oficial que estava à frente da tropa foi devidamente afastado das funções e vai ser instaurado um Inquérito Policial Militar. Agora é o IPM que vai apurar as responsabilidades dele na operação. Eram em torno de 40 a 45 policiais, era uma atividade de educação física com poucos policiais. A educação física militar que a gente chama é feita rotineiramente na rua, mas não cantar aquela canção", disse.

A legislação eleitoral proíbe que agentes públicos (servidores ou não) façam ou permitam “o uso promocional em favor de candidato, partido ou coligação, de distribuição gratuita de bens e serviços de caráter social custeados ou subvencionados pelo Poder Público.”

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