Governo cobra Canadá sobre espionagem

Embaixador canadense no Brasil foi convocado; Itamaraty declarou 'repúdio' ao que chamou de 'grave e inaceitável violação da soberania nacional'

Tânia Monteiro / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

08 de outubro de 2013 | 02h11

O governo pediu nessa segunda-feira, 7, ao embaixador do Canadá no Brasil, Jamal Khokhar, explicações sobre a denúncia de que a agência canadense de inteligência teria espionado o Ministério de Minas e Energia. O embaixador canadense foi convocado pelo ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, que atendeu a uma determinação da presidente Dilma Rousseff.

No encontro, de acordo com o Itamaraty, o chanceler manifestou a Khokhar o "repúdio" do governo brasileiro ao que chamou de "grave e inaceitável violação da soberania nacional e dos direitos de pessoas e de empresas". Mais cedo, em mensagens pelo Twitter, a presidente Dilma Rousseff disse que as novas denúncias de espionagem "confirmam as razões econômicas e estratégicas por trás de tais atos".

Reportagem exibida anteontem pelo programa Fantástico, da TV Globo, apresentou novos documentos secretos revelados pelo ex-técnico da Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês), Edward Snowden. Segundo a reportagem, as comunicações de computadores, telefones fixos e celulares do ministério foram mapeadas pela agência de espionagem do Canadá. O ex-agente teria tido acesso às informações em uma reunião das agências de inteligência do Canadá, Estados Unidos, Reino Unido, Austrália e Nova Zelândia.

Dilma afirmou na rede social que "a reportagem aponta para interesses canadenses na área de mineração" e que "tudo indica que os dados do NSA são acessados pelos cinco governos e pelas milhares de empresas prestadoras de serviços com amplo acesso a eles".

Apesar de afirmar que o Ministério de Minas e Energia possui "bom sistema proteção de dados", a presidente determinou ao ministro Édison Lobão "rigorosa avaliação e reforço da segurança desses sistemas". O ministro Édison Lobão disse que o sistema do ministério "é bom e confiável", mas reconheceu que é possível "melhorá-lo ainda mais". "Para evitar que bisbilhoteiros entrem em nossos arquivos."

O ministro afirmou que as denúncias de espionagem não atrapalham a realização dos leilões promovidos pela pasta, como o do campo de Libra no pré-sal, previsto para o dia 21 de outubro. "Nossos leilões são públicos, tudo às claras e não achamos que essa espionagem imponha dificuldades à realização do processo", afirmou. "Petróleo é energia e soberania, e energia sempre motiva o interesse mundial. O Brasil tem grandes reservas e isso motiva a curiosidade. Mas, independentemente da espionagem, o importante é nossa capacidade técnica de produzir", disse a presidente da Petrobrás, Graça Foster.

Mais tarde, durante reunião com os líderes dos partidos da base aliada na Câmara, a presidente Dilma aproveitou para pedir a aprovação do marco civil da internet e avisou que quer discutir o assunto com os parlamentares em uma outra reunião, na próxima segunda-feira. "Nossa pressa agora é o marco civil da internet na próxima semana", disse o líder do PT na Câmara, José Guimarães (CE). / COLABORARAM ANNE WARTH e EDUARDO RODRIGUES

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