Governo age para evitar convocação de suspeitos

Estratégia é barrar requerimentos da oposição para ouvir investigados; ministro da Justiça e chefe da AGU foram escalados para falar no Congresso

DENISE MADUEÑO, ROSA COSTA / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2012 | 02h05

O governo montou sua estratégia no Congresso para evitar respingos no Palácio do Planalto da operação da Polícia Federal que desarticulou uma quadrilha de venda de pareceres técnicos em órgãos federais para favorecer interesses privados. Para reduzir danos políticos e abafar o novo escândalo de corrupção, a ordem é levar o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo - ao qual a PF é subordinada -, e o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams - superior do advogado-adjunto da AGU -, às comissões na Câmara e no Senado para dar explicações.

Ao mesmo tempo, os partidos aliados vão barrar os requerimentos apresentados pela oposição para convidar os envolvidos nas investigações da PF. "A relação deles é com a polícia", afirmou o líder do PT na Câmara, deputado Jilmar Tatto (SP).

Ontem, a oposição tentou aprovar na Comissão de Educação do Senado o requerimento para ouvir o ex-consultor jurídico do Ministério da Educação (MEC) Esmeraldo Malheiro Santos. O pedido foi rejeitado, atendendo à orientação do líder do PT, senador Walter Pinheiro (BA). Na Comissão de Meio Ambiente e Fiscalização e Controle, os senadores governistas se retiraram sem votar os requerimentos do senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), chamando para depor, além de Rosemary Noronha, o ex-número dois da AGU José Weber de Holanda, e dos ex-diretores Paulo Rodrigues Vieira, da Agência Nacional de Águas (ANA), e Rubens Rodrigues Vieira, da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), apontados como chefes do esquema criminoso.

"Não há problema em os ministros prestarem esclarecimentos. O governo é republicano e a Polícia Federal tem autonomia administrativa para investigar", afirmou Tatto.

O líder petista informou que o ministro da Justiça deverá participar de uma reunião conjunta das comissões de Fiscalização e Controle e de Segurança Pública, onde já estava prevista sua presença para falar da violência em São Paulo. O advogado-geral da União será ouvido em comissão no Senado. Cardozo deverá ir à Câmara na próxima terça-feira.

O convite a Adams já foi aprovado na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle do Senado. Os senadores da comissão também aprovaram convite para ouvir os presidentes da ANA, Vicente Andreu, e da Anac, Marcelo Guaranys.

Faxina. Essa estratégia de antecipar iniciativas da oposição e levar ao Congresso os ministros para tratar de escândalos da esfera federal foi largamente usada no ano passado com o surgimento das denúncias que envolveram alguns ministros e levou a presidente Dilma a fazer a chamada "faxina" na Esplanada dos Ministérios. Na época, a determinação era evitar que os escândalos atingissem o Palácio do Planalto.

O PPS formalizou pela manhã o pedido à Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara para que sejam convidados para falar em audiência Rosemary, Weber Holanda e Cyonil da Cunha Borges - delator do esquema. O PSDB anunciou que pretende apresentar requerimento convidando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o advogado-geral da União na mesma comissão.

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