Montagem/Estadão
Montagem/Estadão

Governistas evitam tratar de reformas de Temer

Russomanno, Marta e Doria ‘fogem’ da estratégia de Haddad de nacionalizar debate

Pedro Venceslau, Valmar Hupsel Filho e Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

13 de setembro de 2016 | 05h25

Após a campanha do prefeito Fernando Haddad (PT) adotar a estratégia de vincular adversários à agenda de reformas do governo Michel Temer, Marta Suplicy (PMDB), João Doria (PSDB) e Celso Russomanno (PRB) se recusaram a comentar as reformas trabalhista e da Previdência para tentar se desviar da “armadilha” petista. Os partidos dos candidatos integram a base de apoio de Temer no Congresso Nacional.

O próprio governo reconhece que as duas reformas são impopulares. Aliados de Temer tentaram convencê-lo a adiar a apresentação das propostas para depois do segundo turno para evitar potenciais danos eleitorais nas campanhas. A reforma trabalhista prevê a flexibilização da CLT. Já a reforma da Previdência pretende estipular a idade mínima de 65 anos para a aposentadoria de homens e mulheres no Brasil, tanto para trabalhadores da iniciativa privada quanto servidores.

Questionados sobre o tema nesta segunda-feira, 12, Doria, Marta e Russomanno evitaram se posicionar claramente sobre as reformas. “O governo tem de apresentar uma proposta para a população poder discutir”, disse Marta, que se licenciou do cargo no dia 8 para se dedicar exclusivamente à campanha. Já Russomanno, que é deputado federal, disse que “está analisando” os projetos das reformas. “Estou analisando os textos das reformas para que elas não tirem direitos adquiridos. Se não tirar, não terei problema em votar.”

O empresário João Doria evitou responder e provocou o prefeito. “Não fujo às perguntas, mas estou aqui como candidato a prefeito. Vou responder os temas que estão vinculados à cidade. Sobre temas nacionais, pergunte ao Fernando Haddad. Ele está louco para responder sobre temas nacionais e fugir dos temas locais”, disse Doria.

No sábado, o candidato do PSDB disse que pretende “municipalizar” o debate. “Se formos falar dos problemas do Brasil, o PT terá de responder muito. São 2 milhões de desempregados, três anos de recessão, inflação alta, descrédito internacional, falta de investimentos e corrupção.” Segundo interlocutores de Doria, o empresário vai seguir a orientação nacional do PSDB, que defende as reformas e pressionou Temer a antecipar o envio do projeto ao Congresso. Por outro lado, a campanha avalia que entrar nesse debate seria entrar na estratégia do PT e do prefeito.

Debate. Haddad tem dito que a agenda de cortes de direitos sociais do governo Temer se impôs naturalmente no debate público. Por isso a campanha adotou desde a semana passada a estratégia de tentar colar os adversários, principalmente Marta, às medidas impopulares do novo governo.

O presidente municipal do PMDB de São Paulo e um dos principais aliados de Temer, José Yunes, coordenador da campanha de Marta, rebate a tese petista. “Quem quiser nacionalizar o debate está querendo fugir dos problemas municipais. A eleição municipal é diferente da nacional. É a que trata diretamente dos problemas dos munícipes, como saúde, educação, o buraco na rua e a conservação das calçadas.”

Na coordenação da campanha de Russomanno, líder nas pesquisas de intenções de voto, a avaliação é de que o candidato deve se envolver o mínimo possível em temas polêmicos, mas não deve se furtar a responder quando for questionado. “Celso está atento a todos os temas nacionais porque ele viveu intensamente esses temas, mas a ideia é que ele atente mais aos temas municipais”, disse o coordenador da campanha, Marcelo Squassoni.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.