Governistas e oposição evitam convocar Pagot

Apontado como um "fio desencapado" tanto pelos aliados como pela oposição, o ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) Luiz Antonio Pagot transformou-se, aparentemente, em persona non grata na CPI do Cachoeira. Cerca de 20 requerimentos de convocação de Pagot estão parados na CPI à espera de votação. E a tendência é que não saiam tão cedo da gaveta.

EUGÊNIA LOPES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

05 de junho de 2012 | 03h32

"Temos que conversar com os líderes para ver se há consenso em torno da convocação do Pagot", argumentou o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), que assumirá nesta semana a presidência da CPI. O presidente efetivo, Vital do Rêgo (PMDB-PB), está de licença médica.

Diante do "corpo mole" para aprovar a convocação de Pagot, o senador Pedro Taques (PDT-MT) anunciou ontem que vai entrar com representação na Procuradoria da República do Distrito Federal para que o ex-diretor do Dnit seja ouvido pelos procuradores. "O Pagot está desesperado para falar. Dizem que ele é um fio desencapado, então, que ele fale", afirmou Taques. O senador Ciro Nogueira (PP-PI) discorda e defende que a CPI se dedique agora a analisar os dados com as quebras de sigilo de envolvidos com o esquema ilegal de Carlinhos Cachoeira.

Ex-filiado ao PR, partido que perdeu o Ministério dos Transportes há cerca de um ano sob denúncias de irregularidades, Pagot acusou, em entrevistas às revistas Época e IstoÉ, o PT e o PSDB de usarem o governo federal e o de São Paulo para bancar as campanhas da petista Dilma Rousseff e do tucano José Serra à Presidência na eleição de 2010.

Reação. Ontem, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ter "ojeriza a denuncismos sem provas" e avaliou que as denúncias de Pagot "não dizem nada". "Falam, falam e não provam nada."

Serra também rechaçou as denúncias e afirmou que o PSDB pretende entrar na Justiça contra Pagot. "É um absurdo completo", afirmou. O governador Geraldo Alckmin classificou de "mentirosas" as declarações de Pagot. "Não se sabe quem fez a denúncia. Ela é mentirosa e caluniosa. Nós estamos estudando as medidas judiciais que o caso requer", disse. / COLABORARAM DAIENE CARDOSO e GUILHERME WALTENBERG

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.