Governistas barram depoimento de Valério

Com o objetivo de blindar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e desqualificar declarações que o ligam ao mensalão, senadores do PT articularam ontem uma votação contra requerimento que convidaria o publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza para falar ao Senado.

DÉBORA ÁLVARES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

13 de março de 2013 | 10h13

Além disso, tentaram diminuir o depoimento do operador do esquema à Procuradoria-Geral da República, em setembro, no qual Valério acusa Lula de ter dado o "ok" à compra de votos de parlamentares e afirma que o dinheiro do mensalão ajudou a bancar "despesas pessoais" do ex-presidente. O depoimento foi revelado pelo Estado em dezembro. Dos 13 senadores presentes na Comissão do Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle, pelo menos sete rejeitaram o requerimento, em uma ação coordenada pelo PT.

Receio. Originalmente, o requerimento do senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) pedia esclarecimentos de Valério acerca das afirmações dele, no mesmo depoimento, sobre o Banco do Brasil. O receio governista, porém, é que, uma vez no Congresso, falando sobre operações financeiras do mensalão, Lula acabasse na linha de tiro.

Segundo afirmou Valério no depoimento, dirigentes do Banco do Brasil cobravam, desde 2003, uma espécie de "pedágio" das agência de publicidade: 2% dos contratos eram repassados para o caixa do PT. Em dois anos, os repasses do banco às cinco agências de publicidade com quem mantinha contrato superaram R$ 400 milhões - uma delas era a DNA Propaganda, de Valério. O suposto esquema de desvio de dinheiro público que teria de ir para a publicidade foi criado por Henrique Pizzolato, ex-diretor do BB, e Ivan Guimarães, ex-presidente do Banco Popular do Brasil, que integra a estrutura do Banco do Brasil, de acordo com o depoimento de Valério.

Para Jorge Viana (PT-AC), o fim do julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal esgotou o assunto. "Teria sido importante para o País se ele tivesse contado a origem que ele montou, inclusive envolvendo partidos que governaram esse País antes da gente, mas que ainda está dependendo de um julgamento do Supremo", afirmou.

"É chegada a hora de o Brasil seguir em frente. Se temos um processo eleitoral em 2014, vamos tratar dele, mas sem expor nomes, como o do ex-presidente Lula", disse Aníbal Diniz (PT-AC).

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