Governistas ajudam a aprovar convites sobre compra de Pasadena

Tática é tentar esvaziar CPI ao levar presidente da Petrobrás, antecessor e ministros para falar em comissões da Câmara

João Domingos e Erich Decat / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2014 | 02h06

Oposicionistas e governistas se uniram ontem na aprovação de convites no Congresso para que autoridades deem explicações sobre as suspeitas que recaem sobre a Petrobrás. Os adversários da presidente Dilma Rousseff buscam, com essas sessões, desgastar a atual gestão. Os aliados, por sua vez, tentam esvaziar a necessidade de uma comissão parlamentar de inquérito ao dizer que tudo está sendo explicado durante as oitivas.

Ontem, os deputados aprovaram convites para que a presidente da companhia petrolífera, Graça Foster, o ex-presidente da empresa José Sergio Gabrielli e os ministros Guido Mantega (Fazenda) e Luís Inácio Adams (Advocacia-Geral da União) compareçam à Câmara para explicar a compra da refinaria de Pasadena, nos EUA.

Graça Foster, que já depôs sobre o mesmo tema no Senado na semana passada, deverá falar no dia 30 deste mês. Mantega e Adams, no dia 14 do mês que vem. Quanto a Gabrielli, ainda não foi definida a data. Os convidados não são obrigados a comparecer às comissões. Mas eles devem, sim, ir à Câmara.

Os partidos de oposição concentraram seus requerimentos em três comissões diferentes como forma de evitar que a base do governo conseguisse derrubar as iniciativas. Mas, ao contrário de outras vezes, o PT e outras legendas que integram o governo decidiram dar apoio aos convites, como ocorreu na Comissão de Fiscalização e Controle, em que todo mundo assinou o requerimento.

Tal atitude arrancou uma frase irônica do presidente da comissão, Hugo Motta (PMDB-PB). "Nunca via integrantes da base e da oposição unidos para convidarem ministros aqui".

O PT desistiu de derrubar os requerimentos da oposição por entender que os esclarecimentos feitos por Graça Foster a respeito da compra da refinaria poderão ajudar a arrefecer os ânimos de quem defende a CPI.

Ela admitiu no Senado que a compra não foi um bom negócio, visto de hoje. No domingo, em entrevista ao Estado, Gabrielli defendeu a compra, disse que é responsável por ela e que Dilma, então presidente do Conselho de Administração da estatal à época da compra da primeira metade da unidade, em 2006, também tem de assumir suas responsabilidades.

Gabrielli também disse que as cláusulas Put Option e Marlin, que foram omitidas do resumo executivo apresentado ao Conselho de Administração da petroleira, não eram fundamentais para determinar a aprovação ou não do negócio. Dilma se referiu ao resumo como "falho" e disse que, se soubesse das cláusulas, não teria apoiado a compra de Pasadena.

A cláusula Put Option obrigava a Petrobrás a adquirir a outra metade da belga Astra Oil em caso de desacordo comercial, enquanto a Marlin previa uma rentabilidade mínima à sócia devido a investimentos que seriam feitos para que a refinaria passasse a processar óleo pesado, como o produzido no Brasil.

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