‘Governinho’, agora, é tratado com ‘afeto’

ACM Neto e a presidente Dilma, antes rivais, em clima de aliados na Bahia

Pedro Venceslau - O Estado de S.Paulo

16 de outubro de 2013 | 02h11

Antes de ser eleito prefeito de Salvador em 2012, ACM Neto foi um dos mais viscerais adversários do PT e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em 2005, quando os petistas enfrentavam o pesadelo do julgamento do mensalão, Neto, então deputado federal, subiu o tom acima da média para se cacifar como um dos líderes da oposição no Congresso. Em um discurso na Câmara, chegou a dizer que daria "uma surra" no presidente da República.

Sete anos depois, o vídeo com a declaração foi usado pelo petista Nelson Pelegrino em sua campanha para a prefeitura de Salvador. A ideia era mobilizar os lulistas contra o rival ACM Neto. Os ânimos se acirraram e os assessores do neto do ex-governador Antonio Carlos Magalhães conseguiram na Justiça tirar as declarações do horário eleitoral na TV. Mesmo assim, petistas não desistiram da estratégia.

Em passagem pela capital baiana para fortalecer a campanha de Pelegrino, a presidente Dilma Rousseff reforçou o clima de guerra ao afirmar, em discurso em um bairro da periferia, que a cidade não podia ter um "governinho". Com cerca de 1m80 de altura, Pelegrino vibrou com a referência presidencial a baixa estatura do adversário, que mede 1m68.

O episódio despertou a ira do DEM e do PSDB, que repudiaram o preconceito. A chapa de ACM Neto conseguiu reverter a "crítica" de Dilma usando o discurso de que a verdadeira grandeza dos homens não está no porte físico, "mas no caráter e na sua formação".

A derrota de ACM Neto, herdeiro político e principal representante do grupo político de Antonio Carlos Magalhães, era em 2012 uma prioridade para o PT nacional. Mas ACM Neto venceu no segundo turno.

Mágoas de lado. Antes mesmo de tomar posse, porém, as mágoas foram deixadas de lado. Ele foi recebido pela presidente em Brasília, segundo seu relato público de ontem, "de forma afetuosa". A aproximação dele com os petistas vem desde então ocorrendo de forma lenta e gradual, porém segura. Interlocutores do governador pestista Jaques Wagner duvidam que o prefeito irá se engajar na campanha de Aécio Neves (PSDB) à Presidência.

Quem ouviu o discurso feito por ACM Neto ontem fica mesmo em dúvida. "Hoje a senhora faz história na primeira capital do Brasil. Salvador lhe recebe com alegria para um dia que vai mudar o futuro da nossa cidade. Só posso trazer meu testemunho, palavra de gratidão e meu reconhecimento como soteropolitano e cidadão."

Tuitada. Por sua vez, a presidente Dilma não deixou de registrar sua passagem por Salvador pelo Twitter. E mencionou ACM Neto em uma de suas tuitadas no fim da tarde de ontem.

Em sua conta oficial (@dilmabr), a presidente postou uma série de comentários sobre parceria, que ela considerou "histórica", do governo federal com o governador e a iniciativa privada para a ampliação do metrô na cidade, e fez questão de citar o prefeito: "Com a prefeitura de salvador @acmneto_ lançamos também o BRT Lapa-Iguatemi, 12,7 km, no valor de R$ 600 milhões".

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