Cida Borghetti/ Divulgação
Cida Borghetti/ Divulgação

Governadora do Paraná pede retirada da candidatura de Beto Richa ao Senado

Cida Borghetti (PP), candidata à reeleição, encabeça coligação integrada pelo tucano no Estado nas eleições 2018

Katna Baran, O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2018 | 13h47

CURITIBA - A governadora do Paraná, Cida Borghetti, candidata à reeleição pelo PP, solicitou nesta segunda-feira, 17, à coligação a retirada da candidatura do ex-governador Beto Richa (PSDB) ao Senado. Aliados dão como insustentável a situação do tucano após sua prisão, nesta terça-feira, 11, sob suspeita de comandar um esquema de desvios em um dos programas da sua gestão, o Patrulha do Campo, investigado pela Operação Radiopatrulha do Ministério Público do Paraná.

“Estou solicitando aos partidos da coligação a retirada da indicação de Beto Richa ao Senado, para que ele possa se dedicar à sua defesa”, disse a governadora durante evento de campanha em Toledo, interior do Estado. “Não aceito, não admito, não compactuo com nenhum ato de desvio de conduta”, afirmou Cida, que era vice de Richa e assumiu o governo quando ele renunciou, em abril, para se candidatar ao Senado.

Richa e integrantes da cúpula do governo anterior chegaram a ser presos na última terça-feira, mas foram soltos na madrugada de sábado, por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes.

A coligação Paraná Decide aprovou, por maioria, o pedido, que será enviado ao Tribunal Regional Eleitoral. A determinação foi repassada ao departamento jurídico para que formalize o pedido ao TRE. Para Cida e aliados, mesmo solto três dias depois, “não há reversão” sobre a imagem da prisão do tucano.

Apesar do pedido, a legislação estabelece que somente Richa pode desistir de sua postulação, já que seu nome foi referendado da convenção partidária e homologado na Justiça Eleitoral. No programa eleitoral desta segunda-feira, Richa reafirmou que mantém a candidatura ao Senado, se disse vítima do “estado policial que querem implantar no País” e afirmou que a Justiça vai reconhecer sua inocência.

O Estado apurou, no entanto, que a campanha dele está desmobilizada, incluindo escritórios e apoiadores, principalmente prefeitos. Deputados estão, inclusive, excluindo o nome e o número de Richa dos materiais de campanha. Nesta sexta-feira, 14, o programa eleitoral da coligação no rádio e na TV foi totalmente preenchido pelo deputado Alex Canziani (PTB). “A candidatura dele está destruída. Se o objetivo era destruir a candidatura, foi atingido, porque ele estava com uma eleição assegurada”, disse um integrante da coligação.

A governadora faz parte do mesmo grupo político de Richa e foi sua vice na gestão anterior, até o tucano deixar o cargo de governador para disputar o Senado, em abril. Apesar disso, ela tem ressaltado que boa parte dos secretários de Richa na época dos casos investigados - no primeiro mandato do tucano - agora apoia o candidato ao governo Ratinho Junior (PSD), principal adversário dela na disputa.

Cida afirma que Richa vinha realizando campanha solo, sem apoiar a candidatura de Cida ao governo. "Não há portanto, razão para que a coligação continue a atender o PSDB, já que sua maioria não apoia Cida, a candidata da coligação", diz a nota divulgada pela campanha.

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