Jonas Oliveira/Governo do PR
Jonas Oliveira/Governo do PR

Governadora do Paraná determina intervenção em pedágios e gera reação de adversários

Medida ocorre após contratos serem alvo de Operação Lava Jato; João Arruda (MDB) e Dr. Rosinha (PT) classificaram medida de Cida Borghetti (PP) como eleitoral

Katna Baran, O Estado de S.Paulo

04 Outubro 2018 | 19h34

CURITIBA - A três dias das eleições, a governadora e candidata à reeleição no Paraná nas eleições 2018 Cida Borghetti (PP) determinou nesta quinta-feira, 4, a intervenção do Estado nas empresas que administram as concessões de pedágio nas rodovias que cortam o Paraná. Segundo anunciou o governo, a medida foi recomendada pela Controladoria e pela Procuradoria Geral do Estado, após análise dos fatos apurados pela Operação Integração II, uma das fases da Lava Jato que levou à prisão, no mês passado, de pessoas ligadas ao ex-governador Beto Richa (PSDB) e às concessionárias.

A intervenção gerou reação de adversários de Cida na disputa ao governo do Paraná. João Arruda (MDB) acusou a candidata de praticar “demagogia eleitoral”, já que, segundo ele, aliados de Cida e de Ratinho Junior (PSD), também postulante ao governo, atuaram anteriormente pela prorrogação dos contratos de pedágio no Estado. “Estes candidatos vestem uma máscara durante o período eleitoral", disse, via assessoria, o candidato do MDB.

Dr. Rosinha (PT) também afirmou que a medida do governo tem viés “apenas eleitoral” e lembrou que, em campanhas anteriores, o pedágio já foi usado como mote por postulantes ao governo. “Essa medida é eleitoral, não tem outra função, e o povo do Paraná entende isso de outras campanhas. Vai ser um tiro no pé”, disse. Ratinho não quis comentar a decisão do governo e, na campanha, tem repetido que não vai prorrogar os contratos.

Com a operação da Polícia Federal e posterior intervenção do governo, o pedágio voltou a ser tema central na campanha pelo governo do Paraná, como já ocorreu em disputas anteriores. Outro fator leva para o centro das discussões os contratos de administração do anel de integração de seis trechos viários: eles chegam ao fim em 2021, ou seja, na próxima gestão.

No último debate televisivo, na terça-feira, 2 , Arruda já havia usado o tema para atacar os adversários: ele resgatou uma carta de 2015 em que Coronel Malucelli (PMN) e Darci Piana (PSD), hoje, candidatos a vice-governador nas chapas de Cida e Ratinho, respectivamente, assinavam pela prorrogação dos contratos do pedágio. Ambos os postulantes ao governo, no entanto, se comprometeram durante a campanha a encerrar os contratos vigentes.

Histórico

Elevados ano a ano, os valores dos pedágios paranaenses variam de R$ 7,40 a R$ 22 e estão entre os mais caros do País. De acordo com as investigações do Ministério Público Federal (MPF), havia um esquema de propinas com as concessionárias para um grupo ligado ao ex-governador Beto Richa, hoje candidato ao Senado pelo PSDB.

A investigação aponta ainda para um possível repasse de valores ilícitos no Tribunal de Contas do Estado e também para deputados que integraram a Comissão Parlamentar de Inquérito dos Pedágios, na Assembleia Legislativa.

Com a intervenção determinada nesta quinta-feira pela governadora, seis oficiais da reserva da Polícia Militar (PM) passarão a trabalhar dentro das concessionárias de forma a impedir a continuidade de atos considerados ilegais ou irregulares. Segundo a assessoria do governo, o papel dos interventores será de facilitar o acesso das autoridades aos documentos das empresas e garantir respostas às demandas da Justiça. Eles também devem aperfeiçoar os mecanismos de aferição do fluxo de veículos e a instalação de conselhos locais de usuários.

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