Governador do Acre se diz vítima de complô e ataca Operação G7

Para Tião Viana (PT), ação da PF que investigou suposto cartel na área de contratos públicos foi movida 'pelo ódio'

RICARDO BRANDT / CAMPINAS, O Estado de S.Paulo

15 Junho 2013 | 02h10

O governador do Acre, Tião Viana (PT), disse ontem que foi alvo de um complô político e defendeu publicamente os indiciados pela Operação G7 da Polícia Federal - que investigou um suposto esquema de cartel montado para fraudar contratos públicos com a participação de membros do primeiro escalão do governo do Estado. O governador atacou ainda, sem citar nomes, a PF e desembargadores do Tribunal de Justiça.

"Tem famílias inocentes presas politicamente no Acre. Porque não conseguiram atingir a minha pessoa de governador, mas pegaram inocentes e colocaram atrás das grades. Usando um braço da instituição, que merece respeito", afirmou Viana em um ato público organizado pelo PT e por partidos aliados, em frente ao Palácio Rio Branco, sede do governo.

"Não é justo que, em plena vida democrática, prendam pessoas sem dizer porque prenderam. A história do Judiciário brasileiro não é de ódio, não pode ser de manipulação. O sentimento de Justiça não pode ser substituído pelo sentimento de ódio de uma minoria dentro do tribunal."

Indiretamente, ele fez referência à relatora do inquérito, a desembargadora Denise Bonfim, e à vice-presidente do TJ, Cezarinete Angelim, que mandaram o caso para Brasília para ser analisado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por entenderem que a maioria dos magistrados locais era suspeita ou inapta a votar os pedidos de liberdade dos indiciados. Desde o dia 10 de maio, 14 pessoas estão presas, dos 29 indiciados, entre eles, dois secretários de governo.

"Influenciados por partidos políticos, por encontros nas madrugadas, prenderam pessoas inocentes para atacar a honra do governador do Acre", disse Viana. "Pegaram a mentira, manipularam, usaram algumas pessoas inocentes da imprensa e correram para Brasília com as mentiras. Chegaram lá e fizeram uma grande farsa", acrescentou.

O inquérito da Operação G7 foi entregue no dia 6 pela desembargadora Cezarinete ao STF. O ministro Luiz Fux acatou reclamação da Procuradoria-geral da República para que o caso deixasse de ser analisado pela Justiça do Acre.

O governador chegou a dizer que "favores pessoais contrariados" estariam por trás das prisões. "O motivo do ódio vai aparecer. Favores pessoais contrariados e não atendidos vão explicar ao povo do Acre o que aconteceu nessas prisões ilegais." Segundo ele, tanto o governo do Estado como o senador Jorge Viana (PT-AC), seu irmão e ex-governador do Estado, têm trabalhado para que a "verdade apareça".

As desembargadoras não foram encontradas para comentar o assunto.

Publicidade. Há uma semana, o juiz da 1.ª Vara da Fazenda Pública de Rio Branco, Anastácio Menezes Filho, acatou um pedido feito em ação popular para que o governo do Estado retirasse do ar publicidade veiculada na TV local rebatendo as acusações da PF na Operação G7.

"É possível constatar de plano que a referida publicidade tem por objetivo descreditar as conclusões externadas pela Polícia Federal após longa investigação, acerca do envolvimento de autoridades públicas e outras pessoas em supostos ilícitos, fatos estes ainda pendentes de julgamento", escreveu o juiz.

A ação popular foi apresentada pelo senador Sérgio Petecão (PSD-AC), após o governo do Estado colocar uma "Nota de esclarecimento" nas TVs locais com o argumento de que houve "distorção de notícias de investigações da Polícia Federal".

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