Governador de RR participa de comício em país vizinho

Anchieta quase causa incidente diplomático ao fazer campanha para a reeleição do atual presidente da Guiana

LISANDRA PARAGUASSU / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2011 | 03h03

O governador de Roraima, José de Anchieta Júnior (PSDB), quase causou um incidente diplomático ao decidir participar de um comício, no início deste mês, na Guiana, e defender, sem meias palavras, a manutenção do partido do atual presidente, Bahrrat Jagdeo, no poder.

A intromissão do governador durante a acirrada campanha eleitoral no país vizinho ao seu Estado obrigou a diplomacia brasileira a dar explicações a irados representantes dos partidos de oposição.

Anchieta teria ido à Guiana participar de uma reunião com Jagdeo sobre projetos conjuntos de ligação entre Roraima e o país vizinho. Mas, à noite, o governador foi convidado e aceitou participar do comício em Lethem, cidade na fronteira com o Brasil. Depois de falar, Jagdeo passou a palavra a Anchieta.

"Nós acompanhamos o mandato do presidente Jagdeo e vimos a evolução do Estado Guianense", disse o governador, completando: "Eu tenho a certeza que a gestão de Jagdeo será a melhor gestão que este país já teve".

Uma reclamação formal contra a participação do governador foi feita na embaixada do Brasil em Georgetown, capital da Guiana, mas a ação de Anchieta era desconhecida pelo Itamaraty. O Ministério das Relações Exteriores se viu obrigado a enviar uma correspondência oficial reafirmando a posição brasileira de "não intervenção" e "neutralidade" nas eleições nos países vizinhos, deixando claro que a presença de uma autoridade brasileira no comício não significava apoio a nenhum partido.

Apesar da política de não intervenção, não são infrequentes as "participações especiais" de políticos brasileiros nas eleições de países vizinhos. Em outubro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi a Argentina demonstrar apoio a então candidata à reeleição Cristina Kirchner. Como a presidente já estava virtualmente eleita e Lula é um ex-presidente, o ato não causou maiores problemas.

Procurado através da representação em Brasília e nos telefones do palácio do governo, em Boa Vista, o governador não foi encontrado.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.