Governador de PE critica impugnação de petista em Recife

Na terça, juiz decidiu cassar a candidatura a prefeito de João da Costa, líder nas pesquisas, por uso da máquina

Eduardo Kattah, de O Estado de S. Paulo,

24 de setembro de 2008 | 14h50

O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), classificou nesta quarta-feira, 24, como "monocrática", "frágil" e "não fundamentada" a decisão do juiz das Investigações Eleitorais, Nilson Nery, que determinou a cassação do registro da candidatura de João da Costa (PT) a prefeito do Recife. O juiz analisou pedido do Ministério Público e, além da cassação, declarou Costa inelegível por três anos, por prática de abuso de poder político e eleitoral. O petista, apoiado também pelo prefeito João Paulo (PT) e pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ocupa o primeiro lugar nas pesquisas, que apontam sua vitória no primeiro turno. Veja também:Perfil: Candidatos do Recife Ibope: Veja números das últimas pesquisas Juiz cassa candidatura de petista líder nas pesquisas no Recife Campos - que participou no centro de Belo Horizonte de uma atividade de campanha do candidato do PSB à prefeitrua da capital mineira, Márcio Lacerda - demonstrou confiança de que a decisão será revertida. "Na verdade, é uma decisão monocrática de um juiz de primeira instância. A campanha já recorreu ao TRE (Tribunal Regional Eleitoral). Esperamos que ainda hoje (ontem) o TRE vá se pronunciar sobre isso", afirmou. "Uma decisão frágil, não fundamentada". O governador pernambucano também contestou a acusação e considerou que "de forma nenhuma" há indícios de uso da máquina pública da prefeitura petista em favor de Costa, ex-secretário municipal de Planejamento Participativo. Em sua sentença, o juiz concluiu que houve prática de abuso de poder político e econômico na confecção e elaboração de revistas do Orçamento Participativo e na utilização de servidores comissionados para a divulgação de propaganda partidária do candidato do PT - conforme indicou perícia da Polícia Federal nos computadores da Secretaria Municipal de Educação.  "Sempre ganhamos a eleição enquanto oposição em Pernambuco. Não é da nossa tradição política. Pelo contrário, quem tem essa tradição são os que hoje nos combatem", reagiu Campos. "Estamos ganhando a eleição na rua, com propostas, com a nossa história. Eu falo muito à vontade, porque enfrentei todas as máquinas para me eleger governador".  O governador disse que estava absolutamente tranqüilo de que a decisão não seria mantida. "Porque é uma decisão inteiramente frágil", insistiu, cobrando que o debate político não seja judicializado. "Vamos discutir o que interessa a sociedade", disse. "Em Recife, a população aprova o governo municipal, o governo estadual e o governo do presidente Lula. E o nosso candidato vai vencer as eleições no Recife no primeiro turno". Partido - Presidente nacional do PSB, Campos confia que a legenda irá eleger pelo menos quatro prefeitos nas capitais do País. Além de Belo Horizonte - onde as pesquisas indicam triunfo de Lacerda no primeiro turno -, ele citou as prefeituras de João Pessoa, Boa Vista e Macapá. A expectativa do partido socialista é eleger em torno de 500 prefeitos.  Segundo o governador, nesta eleição, candidatos do PSB disputam o cargo majoritário em mais de 2.000 municípios brasileiros. De acordo com Campos, em 2004, o PSB elegeu aproximadamente 250 prefeitos. "Acredito que nós vamos mais do que dobrar esse número de prefeitos no dia 05". Participaram também da caminhada de apoio a Lacerda na Praça Sete, o senador Renato Casagrande (PSB) e o prefeito da capital mineira, Fernando Pimentel (PT).  DenúnciaDois fatos motivaram a condenação do candidato. Em março, foi lançada em grande evento uma revista com um balanço das ações do Orçamento Participativo, programa sob o comando de João da Costa na Secretaria do Planejamento Participativo e carro-chefe de sua campanha. O evento serviu também para apresentá-lo como candidato. Em agosto, a promotora entrou com outra ação contra João Paulo e João da Costa por uso da máquina.  Perícia da Polícia Federal - solicitada pela promotora - nos computadores da Secretaria Municipal de Educação comprovou convocações para eventos de campanha, jingles, arquivos com mais de cem filiados do PT que trabalham na secretaria, imagens do prefeito e do candidato, além de cronograma de comparecimento a caminhadas e plenárias em horário de expediente.Costa disse que a revista era uma forma de mostrar transparência das ações e prestar contas à população. Quanto à perícia nos computadores da secretaria afirmou que não poderia ser responsabilizado por uso de e-mail dos funcionários.var keywords = "";  Atualizada Às 17h35

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