Governador de GO vendeu casa a empresa ‘fantasma’

Dados da CPI do Cachoeira indicam que Mestra não tem movimentação financeira desde 2006

Alana Rizzo e Fábio Fabrini, de O Estado de S.Paulo

03 de julho de 2012 | 03h06

BRASÍLIA - As investigações da CPI do Cachoeira indicam que o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), negociou sua casa no Condomínio Alphaville com uma empresa "fantasma". Embora o tucano sustente que a Mestra Administração e Participações foi a verdadeira compradora do imóvel, e não o contraventor Carlos Cachoeira, a empresa não tem movimentações financeiras desde 2006 e, daquele ano em diante, não declarou nenhum rendimento à Receita Federal.

"Verifica-se que a pessoa jurídica se declara inativa e não possui registros de atividade econômica no período examinado (2002 até 27 de junho de 2012). Não possui movimentação financeira, não apresentou Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, Relação Anual de Informações Sociais e Guia de Recolhimento de FGTS e Informações à Previdência Social e apenas pagou R$ 621 a título de arrecadação federal", diz a nota técnica 2012/193, da Receita Federal, remetida à CPI. Os dados foram encaminhados também ao superintendente da Receita na 1.ª Região Fiscal.

Conforme o Estado revelou, quando o imóvel no Alphaville foi vendido, a empresa estava em nome de Sejana Martins, Fernando Gomes Cardoso e Ecio Antônio Ribeiro. Sejana saiu da sociedade dois dias depois da venda da casa, e Fernando em dezembro último. Só Ecio permanece como dono da empresa, que tem sede em Aparecida de Goiânia (GO). Sejana é diretora da Faculdade Padrão, do empresário Walter Paulo Santiago, para quem Perillo afirma que vendeu o imóvel. Walter Paulo nunca esteve no quadro societário da empresa.

O registro do cartório de imóveis mostra que a Mestra comprou a casa de Perillo por R$ 1,4 milhão no dia 13 de julho de 2011. O governador afirma que recebeu o valor em três cheques. O pagamento foi feito pela Excitante Indústria e Comércio, de Anápolis (GO). A confecção é de uma cunhada de Cachoeira.

Questionado sobre a venda do imóvel a uma empresa inativa, a assessoria de imprensa de Perillo informou que o assunto não diz respeito ao governador. "Ele fez a venda, escriturou e recebeu o pagamento. A pergunta deve ser feita à Mestra."

O Estado não conseguiu contatar os sócios da empresa e nem o empresário Walter Paulo. Na CPI, Ecio Ribeiro e Sejana Martins conseguiram um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF) para permanecerem em silêncio. Walter Paulo afirmou que comprou o imóvel e que emprestou para Andressa, namorada de Cachoeira, a pedido de Wladimir Garcêz, preso na operação.

Em novos áudios da Operação Monte Carlo, Cachoeira e Andressa conversam sobre a mobília da nova casa. Em 16 de junho, ela afirma ao namorado que está orçando os eletrodomésticos e que vai comprar uma geladeira, uma side by side (refrigerador de duas portas) e um freezer. "Como o espaço lá é muito grande, a Valéria e o Marconi faziam assim." Andressa diz ainda que vai comprar um micro-ondas, um forno elétrico e uma máquina de lavar que também seca. "Ok. Quando estiver pronto você compra", diz Cachoeira.

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