Governador campeão de votos quer relação de respeito

Governador campeão de votos quer relação de respeito

Eleito com 68% dos votos, Câmara faz campanha para Aécio e diz esperar tratamento igualitário caso Dilma vença

Entrevista com

Paulo Câmara (PSB), governador eleito de Pernambuco

Clarissa Thomé - Enviada Especial/ Recife, O Estado de S. Paulo

25 de outubro de 2014 | 16h48

O governador eleito de Pernambuco, Paulo Câmara, reconhece que a campanha de Aécio Neves (PSDB) não atingiu o interior do Estado, único do Nordeste onde a presidente Dilma Rousseff (PT) perdeu para o concorrente no 1.º turno. 

Câmara assumiu a coordenação local da campanha tucana no 2.º turno, depois de ter se tornado o governador mais bem votado do País: recebeu 68% dos votos, mesmo sem jamais ter se candidatado e de não ter experiência partidária - chegou à disputa pelas mãos de seu padrinho político, Eduardo Campos, morto em agosto. “Fizemos a campanha onde tinha condição de se levar o 45 de maneira mais rápida”, disse. Ele espera que Dilma, se reeleita, tenha para com ele “tratamento igualitário” em relação aos governadores que a apoiaram. 

Qual o peso de Pernambuco na eleição presidencial? 

Pernambuco mostrou que quer que o Brasil se transforme. Isso vem da candidatura de Eduardo Campos, se consolidou com Marina e com minha campanha. Pernambuco mostrou a união em torno de um projeto de transformação costurado por Eduardo. O governo atual entrega o Brasil pior do que encontrou. É óbvio que cria uma curiosidade quando você tem o governador eleito com mais votos no Brasil. Há um certo olhar para Pernambuco. Tanto que a presidente veio aqui no 2.º turno. Ela veio só no começo do 1.º turno e agora fez questão de passar um dia em Pernambuco. 

Aécio Neves só teve 5% dos votos em Pernambuco no 1º turno. O senhor crê na migração dos votos de Marina Silva, escolhida por 48% dos eleitores? 

Acreditamos na migração de grande parte desses votos. Realmente, não é fácil por causa do prazo que temos. A campanha no 2.º turno foi muito rápida, tivemos poucos fins de semana entre um turno e outro. Fizemos a campanha onde tinha condição de se levar o 45 de maneira mais rápida: na região metropolitana e nas grandes cidades do Estado. É óbvio, temos dificuldade com a televisão. Em virtude de muitas antenas parabólicas no interior do Estado, não chegava a vinculação do nosso apoio a Aécio. 

O eleitor de Pernambuco sabe que Aécio é o candidato da família Campos? 

Uma parte, sim. Renata (Campos, viúva de Eduardo) teve participação discreta, mas próxima do que foi no 1.º turno. Ela gravou para mim e para Marina também no fim do 1.º turno. Mas é uma participação com simbolismo muito forte (depois da entrevista, ela participou de caminhada pró-Aécio com Câmara).

Na recente visita a Pernambuco, a presidente prometeu uma boa relação com o senhor, caso seja reeleita. Como pensa que se dará essa relação? 

Isso é o que todos os governadores esperam do presidente, um tratamento igualitário. De minha parte, temos confiança na vitória de Aécio, mas caso a Dilma seja reconduzida, vamos ter relação de muito respeito. 

O PT foi aliado histórico do PSB. Alguma ala pode estar no seu governo? 

O PT fica de fora. Claramente, o resultado das urnas mostra que Pernambuco quer seguir (com o PSB). Estamos afastados desde 2012, com a eleição de Geraldo Júlio (PSB). Há algumas pessoas com quem convivi, como o senador Humberto Costa, que foi secretário de Eduardo, que tenho respeito. Mas o momento político os colocou na oposição. Vou começar meu governo com o PT na oposição.

Como fica a situação de Roberto Amaral, ex-presidente do PSB, que gravou programa para Dilma, apesar de o partido ter definido apoio a Aécio. Tem lugar para ele no PSB? 

Tem. Agora, essa discussão precisa ser feita após as eleições. É um quadro histórico do partido e como presidente sabia muito bem da necessidade de termos orientações que devem ser seguidas.

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