Governador almoça com ex-desafeto e depois recebe Dilma

Jarbas recebe Campos após rompimento de 20 anos; na segunda, presidente vai encontrar potencial rival de 2014

O Estado de S.Paulo

23 de março de 2013 | 02h01

Empenhado na articulação da candidatura do governador Eduardo Campos (PSB) à Presidência da República em 2014, o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB) oferece hoje em sua casa de praia, no Janga, o seu famoso "cozido", em almoço dedicado a seu ex-desafeto, com quem esteve rompido por 20 anos. O evento é fechado para a imprensa.

O fato é simbólico. A "turma do cozido" sempre foi motivo de pilhéria entre os seguidores de Miguel Arraes, avô do governador, e de Campos, os "eduardistas". O rompimento entre eles se deu em 1992. No ano seguinte, Jarbas se aliou à direita criando a "União por Pernambuco" - que o elegeu governador em 1994. Arraes, então, foi taxativo: Jarbas havia escolhido "o caminho da perdição". A "turma do cozido" passaria a ser conhecida como a direita, o fisiologismo.

Interlocutores de Campos veem com tranquilidade sua aproximação com a "turma" que tanto criticou. Lembram que ele esteve no mesmo lado todo o tempo e que Jarbas é que está retornando ao campo que havia deixado.

A reconciliação ocorreu no ano passado, quando Jarbas apoiou o candidato de Campos à prefeitura do Recife, Geraldo Julio (PSB). Jarbas tem destacado sua admiração pela capacidade de Campos de administrar a gestão e fazer política nacional ao mesmo tempo.

Jarbas é amigo pessoal do ex-governador José Serra, com quem Campos se encontrou na semana passada. O senador promete fazer o meio de campo entre os dois e com os peemedebistas insatisfeitos com a convenção do partido que reconduziu Michel Temer ao comando.

Dilma no sertão. No território de Campos, a presidente Dilma Rousseff anunciará, na segunda-feira, pacote de medidas emergenciais para combater os efeitos da seca no Nordeste. Ao lado de Campos, seu possível rival em 2014, Dilma aproveitará a viagem a Serra Talhada (PE) para divulgar que vai repassar recursos diretamente aos municípios em estado de calamidade pública.

O governo federal também ampliará a logística para que o milho da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) chegue às regiões atingidas pela estiagem, evitando que o gado continue a morrer. O plano prevê o uso de aviões da Força Aérea Brasileira e o envio de verba para perfuração de poços. Os detalhes da operação Nordeste foram decididos ontem, em reunião de Dilma com os ministros Gleisi Hoffmann (Casa Civil), Fernando Bezerra (Integração Nacional), Ideli Salvatti (Relações Institucionais), o governador da Bahia, Jaques Wagner, e o comandante do Exército, general Enzo Peri.

Em Serra Talhada, Dilma vai inaugurar um trecho da adutora de Pajeú, que leva água do Rio São Francisco a 80 mil famílias. O encontro com o potencial rival Eduardo Campos é aguardado com grande expectativa.

A aliança direta com prefeitos e o reforço da agenda no Nordeste são tidos como essenciais pelo Planalto. Embora Dilma tenha potencial de votos de 76%, como aponta o Ibope, a ideia é evitar o segundo turno. / A.L. e VERA ROSA; COLABOROU RAFAEL MORAES MOURA

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