Governabilidade no País depende de coalizões, diz Dilma

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, avaliou hoje que a tendência no Brasil é a formação de coalizões entre partidos para governar, dada a complexidade da sociedade e a diversidade regional e cultural do País. A ministra fez o comentário ao ser questionada sobre possível composição de forças para 2010 envolvendo PT e PMDB numa chapa. Ressaltando que não faria "especulações" sobre a eleição de 2010, Dilma disse que poderia responder "em tese" que o governo fez uma "aliança de base ampla" - citando que o arranjo incluiu grandes partidos como o PMDB, PSB, PDT, PP e PTB - por considerar que ela "é uma exigência da própria característica e da governabilidade do País".Para Dilma, "esses partidos podem perfeitamente ter uma base em comum". A ministra observou que se referia à situação atual, que certamente não irá mudar significativamente nos próximos anos. "É impossível governar o Brasil se você não tiver uma base de sustentação que dê condições de executar um programa transformador como é o nosso", declarou, acrescentando que o governo precisa aprovar projetos de lei e, para isso, depende de maioria parlamentar."O Brasil é um país tão complexo porque tem uma estrutura produtiva diversificada, porque tem na sociedade um diferencial de posições bastante rico e é muito difícil um só partido representá-lo", analisou. "Então, a tendência no Brasil será sempre de coalizões para governar", acrescentou, ao participar hoje de café da manhã no comitê da campanha da candidata à prefeitura de Porto Alegre Maria do Rosário (PT).A ministra defendeu que é importante integrar diferentes pontos de vista da sociedade "dentro do mesmo espectro político" não somente para 2010, mas também para 2014. Dilma ponderou que a tendência é formar "uma base mais ampla de sustentação", citando uma composição de "centro-esquerda", em vez de um cenário como o dos Estados Unidos, dividido entre democratas e republicanos.Presente ao mesmo evento de campanha, o ministro da Justiça, Tarso Genro, abordou as possibilidades de alianças em escalas municipal e estadual. Tarso destacou, como diferencial da eleição municipal deste ano, que o PT não é o único partido de esquerda com votação expressiva na capital, o que considerou positivo. "Nunca foi bom para a esquerda que um partido seja absolutamente hegemônico", avaliou.Para Tarso, o PT está aprendendo a conviver com outros setores da esquerda. Ele defendeu que no segundo turno o PT atraia a esquerda e o centro para um eventual governo, considerando que Rosário obtenha a vaga para disputar a próxima fase. "Temos de preparar, aqui no Rio Grande do Sul, a partir dessa experiência extraordinária que estamos vivendo, um governo inclusive de maioria política estável na Assembléia Legislativa no próximo período para retirar o Estado dessa crise política e econômica em que se encontra."Ao comentar a preferência do presidente Lula pela candidatura de Dilma para 2010, Tarso considerou que ele nunca foi "taxativo" sobre sua indicação, mas, se fizer isso, apoiará o nome. O ministro defendeu o apoio de Lula a Maria do Rosário no segundo turno, que sempre esteve com o governo "nas horas duras". O candidato à reeleição José Fogaça (PMDB) é um "novato" no PMDB, apontou Tarso, lembrando de sua recente mudança de partido. Fogaça pertencia ao PPS, um "duríssimo" e "legítimo" adversário do governo federal, segundo citou.Tarso, Dilma e o ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, participaram do café da manhã que deu início às atividades de Rosário hoje. Os três votaram na mesma zona eleitoral na região sul de Porto Alegre.Voto Ao chegar à seção 160 da 160.ª zona eleitoral, que funciona na Escola Estadual Santos Dumont, Dilma entrou na fila e ficou por alguns minutos aguardando sua vez de votar, enquanto conversava com Maria do Rosário, dirigentes partidários e colegas de ministério. A votação foi rápida e, depois de deixar a urna, Dilma posou para fotógrafos, cumprimentou os mesários e fez um breve comentário sobre a importância das eleições. A ministra teve uma movimentação discreta durante sua permanência na zona eleitoral e, depois de votar, acompanhou os colegas Tarso e Cassel às respectivas seções.

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