Goulart sabia que era vigiado, diz médico

O médico Odil Rubim Pereira, que teve acesso ao corpo do ex-presidente João Goulart no dia do enterro na cidade gaúcha de São Borja, na fronteira com a Argentina, disse à procuradora da República Suzete Bragagnol que Jango (apelido do ex-chefe de Estado) já sabia que era monitorado (pelos serviços de inteligência da ditadura militar).

ELDER OGLIARI / PORTO ALEGRE , O Estado de S.Paulo

20 de março de 2013 | 02h08

Ela e o também procurador André Raupp consultaram o médico ontem em São Borja em busca de subsídios para o inquérito civil público que investiga a morte de Goulart, ocorrida em 6 de dezembro de 1976 em Mercedes, na Argentina. "São informações que corroboram alguns dados já conhecidos", disse Suzete, admitindo que não imaginava encontrar algo inédito na reunião. O médico disse que limpou secreções do nariz de Goulart no dia do enterro, mas ressalva que isso não é suficiente para definir qual foi a causa do óbito.

As informações que os procuradores estão colhendo nesta fase do inquérito podem levar o Ministério Público Federal a pedir a exumação dos restos do ex-presidente, procedimento admitido também pela Secretaria Especial de Direitos Humanos e pela Comissão Nacional da Verdade.

Mas Suzete adverte que ainda analisará informações da Polícia Federal para saber se os reagentes atuais são capazes de detectar substâncias químicas usadas naquela época. A família Goulart autoriza a exumação desde que haja certeza de que será conclusiva. Para isso, exige consultas prévias para saber se os peritos brasileiros têm equipamentos e técnicas capazes de detectar o uso dos venenos capazes de provocar uma parada cardíaca na década de 70.

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