Dida Sampaio/Estadao
Dida Sampaio/Estadao

Goldman diz que candidatura de Aécio ao Senado 'não parece conveniente'

Tucanos tentam descolar o julgamento de Aécio, em que foi tornado réu pelo STF, da imagem da legenda, alegando tratar-se de uma questão pessoal, não partidária

Elizabeth Lopes, O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2018 | 09h39

No dia ao julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) que tornou réu o senador Aécio Neves (PSDB-MG), o ex-governador de São Paulo e ex-vice-presidente nacional do PSDB, Alberto Goldman, avalia que o PSDB deve rever a candidatura dele ao Senado Federal nas eleições gerais deste ano.

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Em entrevista à Rádio Eldorado, Goldman reconheceu que a decisão do STF traz um desgaste político ao partido, principalmente num ano eleitoral, por isso argumentou que o PSDB deve ponderar com muito cuidado se deve ter Aécio candidato (à reeleição ao Senado) em Minas Gerais: "Uma candidatura majoritária de Aécio não me parece conveniente nessas eleições."

A posição de Goldman é a mesma de outras lideranças do partido e do próprio presidenciável tucano, ex-governador Geraldo Alckmin, pelo temor de que o episódio possa gerar desgaste em uma campanha que promete ser muito acirrada e cujo cenário ainda está bem pulverizado. Oficialmente, Alckmin, que também é presidente nacional da legenda, diz que Aécio é quem decidirá sobre seu futuro político. 

O pré-candidato tucano disse, após o julgamento do STF, que "decisão judicial se respeita" e que "lei é para todos".

Nos bastidores, há um movimento para tentar descolar esse episódio do partido como um todo, caracterizando-o com um problema pessoal do senador mineiro e não um modus operandi do PSDB. "É um episódio individualizado, que não atingiu o partido em sua totalidade, mas do ponto de vista político trouxe um desgaste", disse Goldman à Rádio Eldorado.

Na entrevista, o ex-presidente nacional do PSDB disse que a obrigação da Justiça, neste caso, é levas as investigações adiantes, fazendo ressalva de que "podem não existir provas contra Aécio, mas há indícios" e que alguém que foi presidente nacional da legenda não poderia jamais ter pedido dinheiro ou tido uma conversa daquelas com um empresário (Joesley Batista, do grupo J&F).

Para Goldman, a perda de liderança nacional de Aécio Neves é clara. "Se esvaiu, sua posição no PSDB ficou fragilizada", emendou. Por isso, acredita que, mesmo que tenha prestígio junto ao seu eleitorado (em Minas Gerais), não seria conveniente para o PSDB que ele seja candidato a um cargo majoritário neste pleito. "O partido não tem culpa (do que ocorreu), mas sofreu um desgaste e vamos sofrer com isso na campanha", avaliou.

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