JF Diorio/Estadão
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Gleisi acena a Marília Arraes, mas reafirma que alianças locais estarão subordinadas às nacionais

Em entrevista à rádio, presidente do PT diz que prioridade em Pernambuco é a reeleição do senador Humberto Costa

Kleber Nunes, O Estado de S.Paulo

21 Junho 2018 | 17h33

RECIFE - A presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann, disse nesta quinta-feira, 21, que a vereadora do Recife Marília Arraes (PT) deu “um passo muito grande” ao anunciar uma aliança com o deputado federal Silvio Costa (Avante), pré-candidato ao Senado, mas reafirmou que as coligações regionais devem seguir as articulações em nível nacional.

Marília tenta convencer o próprio partido a lançar sua candidatura ao governo de Pernambuco mas esbarra na intenção de dirigentes locais e nacionais de fechar aliança com o atual governador Paulo Câmara (PSB), que deve tentar a reeleição.

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“As alianças são feitas pelo PT (nacional) e todas as coligações locais estão observando a movimentação nacional. Nossa prioridade é eleger o ex-presidente Lula e garantir a nossa bancada federal”, declarou a senadora à Rádio Jornal, do Recife, depois de dizer que Marília é um grande quadro do partido e que é um orgulho tê-la no grupo.

Enquanto o PT não decide se lança nome próprio para concorrer ao governo de Pernambuco ou declara apoio a Câmara, Marília tem se movimentado para viabilizar sua candidatura. Os movimentos de Marília expõe a divisão interna do partido no Estado.

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Sílvio Costa foi anunciado por Marília como pré-candidato ao Senado na chapa da petista durante coletiva de imprensa na terça-feira, 19. No mesmo dia, o presidente do PT estadual, Bruno Ribeiro, emitiu nota dizendo que a legenda não reconhece a aliança. No fim de semana, Marília já havia divulgado o nome do advogado Claudio Ferreira como coordenador do programa de governo.

Para Gleisi essas movimentações de Marília não mudam em nada o posicionamento do partido que espera formar palanque com PSB e PCdoB. Além de Pernambuco, Bahia e Amapá são prioritários para a consolidação dessa estratégia. “Ela está fazendo um movimento que se o PT não assumir não vai ser efetivo. Tudo passa por uma decisão partidária estadual, mas principalmente nacional”, afirmou Gleisi.

Sílvio Costa foi vice-líder do Governo Dilma na Câmara e um dos principais defensores da petista no processo de impeachment. Desde o início do ano, o parlamentar vem se apresentando como o "senador de Lula" e percorrendo o interior de Pernambuco em busca de apoio de prefeitos.

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“Com todo respeito a Silvio Costa, mas ele também sabe que a nossa prioridade para o Senado é (a reeleição de) Humberto Costa”, afirmou a presidente à rádio. Humberto é um dos que articulam para que o PT feche a aliança com Câmara.

A assembleia do PT em Pernambuco com os 300 delegados que vão decidir o rumo da legenda deve acontecer entre os dia 27 e 29 de julho, conforme determinação do diretório nacional do PT. Até lá, Marília segue percorrendo cidades do interior, participando de reuniões e audiências na tentativa de consolidar sua candidatura.

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