GHOST-WRITER DE LULA FAZ 'CARTILHA ELEITORAL'

Livro do ex-ministro Luiz Dulci enfatiza comparações da gestão petista com governo FHC e organiza discurso para reeleição de Dilma Rousseff

O Estado de S.Paulo

13 de março de 2013 | 10h23

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva conseguiu fazer um bom governo, com crescimento econômico, inclusão social e projeção internacional do Brasil porque não seguiu os passos de seu antecessor, o tucano Fernando Henrique Cardoso. Essa é a principal ideia do livro Um Salto para o Futuro - Como o Governo Lula colocou o Brasil na Rota do Desenvolvimento, que acaba de ser lançado pela Fundação Perseu Abramo, vinculada ao PT.

Escrito por Luiz Dulci, petista histórico que foi ministro de Lula durante oito anos de governo e seu principal ghost-writer no primeiro mandato, o livro surge na cena política em momento estratégico: quando o PSDB avisa que, na campanha de 2014, vai demonstrar que as políticas que deram certo no governo Lula foram continuidade do legado de Fernando Henrique. Do cadastro único que orienta as políticas sociais à estabilidade econômica, tudo teria como origem o governo tucano, sustenta o PSDB.

Diante dessa estratégia, a obra de Dulci parece um manual destinado a orientar petistas e simpatizantes sobre como rebater os argumentos dos "recalcitrantes de plantão", como ele define.

Num texto curto, distribuído em 128 páginas, com linguagem acessível e de tom elogioso, Dulci diz na apresentação que tudo não passa de bom senso: "Se as políticas fossem as mesmas, os resultados econômicos e sociais do governo Lula não poderiam ser tão diferentes - e, sobretudo, tão superiores!"

Plano Real. A estabilidade econômica conquistada pelo tucano teria se tornando, segundo Dulci, um fim em si mesma, sem o desencadeamento de políticas de crescimento econômico. Isso explicaria a fase final do governo tucano, que ele considera um fracasso.

"Seu segundo mandato terminou de maneira decepcionante, fruto da estagnação econômica e da crise social", diz o ex-ministro e atual diretor do Instituto Lula, referindo-se ao governo tucano no período entre 1998 e 2002.

Dulci procura demonstrar como Lula, apresentado como "notável estadista", transformou a estagnação em desenvolvimento e incorporou ao mercado "50 milhões de brasileiros que viviam abaixo da linha da pobreza".

Em oito capítulos ele apresenta dicotomias deixadas pelo tucano e superadas pelo petista. O capítulo sobre as relações internacionais leva o título: Integração subalterna versus isolamento internacional.

O lançamento do livro, no Sindicato dos Engenheiros de São Paulo, anteontem, foi prestigiado pela cúpula do PT. Apesar de aguardado, Lula não compareceu. José Dirceu, condenado no julgamento do mensalão, prestigiou Dulci.

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