Charles Platiau/Reuters - 2/3/2020
Charles Platiau/Reuters - 2/3/2020

Lula explica por que não escolhe Dilma como vice

O ex-presidente descartou chamar a ex-presidente compor uma chapa na disputa presidencial de 2022; a declaração foi dada em entrevista à Rádio Super Tupi do Rio de Janeiro

Natália Santos e Daniele Jammal, Especial para o Estadão, O Estado de S.Paulo

01 de fevereiro de 2022 | 12h56

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) descartou escolher a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) como uma opção para vice em sua chapa na corrida presidencial. Segundo Lula, para resolver os problemas do País, é necessário a união de um conjunto de forças políticas, fazendo referência às alianças partidárias, e não apenas uma decisão de um único partido. A declaração foi dada nesta terça-feira, 1, durante entrevista à Rádio Super Tupi do Rio de Janeiro. 

"Em uma campanha política, você precisa saber que a solução dos problemas do Brasil hoje não passa por uma solução de um único partido político. Passa pelo conjunto de forças políticas que existem no País. Eu disse para a presidente do PT [Gleisi Hoffmann] que não tenho interesse em ser um candidato apenas do PT. Eu quero ser interesse de um movimento da sociedade que busca melhorar a vida do povo brasileiro”, disse. 

O ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que deixou o PSDB, é hoje o nome preferido de Lula para a vice. Para fechar o acordo, Lula aguarda a definição do ex-governador sobre em qual partido vai se filiar. As opções do ex-tucano são PSB, SD e PV. Alckmin também vinha conversando com o PSD, mas a prioridade, neste caso, seria que ele tentasse voltar ao governo paulista. 

O papel de Dilma na campanha de Lula tem sido questionado desde a ausência da ex-presidente no jantar promovido pelo Prerrogativas, coletivo de advogados autodenominados “progressistas” e “antilavajatistas”, em dezembro de 2021. O evento, aliás, marcou o primeiro encontro público entre Lula e Alckmin.

Na última quarta-feira, 26, o ex-presidente afirmou que falta a Dilma “paciência” para lidar com a política. A declaração foi dada durante entrevista à Rádio CBN Vale, de São José dos Campos, interior de São Paulo, após questionamento sobre o papel da petista em sua campanha.

Hoje, Lula "calibrou" o discurso para uma defesa mais efetiva da petista, embora a tenha descartado como vice. Segundo o ex-presidente, o governo de Dilma foi prejudicado diretamente pela entrada do ex-deputado federal Eduardo Cunha (PSDB) no cargo de presidente da Câmara dos Deputados. "Dilma é motivo de orgulho. Acho que ela foi vítima do Congresso Nacional. Ela foi vítima, na minha opinião, de uma conspiração para dar um golpe e não permitir que eu voltasse para a presidência da república", disse.

Fake news e regulação da mídia

O ex-presidente voltou a defender maior controle sobre a internet e redes sociais para combater a disseminação de fake news. "Ela (a internet) é uma coisa extraordinária para a sociedade, mas ela nao pode ser um antro de mentiras, como temos vistos pelas mãos do próprio presidente da República", afirmou Lula. "Vamos precisar discutir isso com muita responsabilidade." Segundo ele, a proposta "não vem da Presidência" (embora tenha sido defendida em governos anteriores do PT), e terá de ser debatida em parceria com o Congresso.

CIA

Lula também atacou o ex-juiz Sérgio Moro, pré-candidato do Podemos à Presidência. "Na minha opinião (Moro), tem uma ligação perigosa com a CIA (agência de inteligência do governo) e com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos", disse, após destacar que Moro "não tem muito futuro na política", assim como a chamada "terceira via" - uma candidatura alternativa aos nomes do próprio Lula e do presidente Jair Bolsonaro em 2022.  "Se o processo foi anulado (da Lava Jato, a exemplo do recente arquivamento da ação sobre o triplex do Guarujá), significa que não tem mais processo", declarou. "O juiz (Moro) foi considerado parcial, portanto, é um juiz que não merecia ser juiz. Deveria nunca ter colocado uma toga. Acho que ele vai ser medíocre como candidato a presidente."

Durante estadia em São José do Rio Preto, Sérgio Moro afirmou que a pretensão do ex-presidente é ocultar as polêmicas do governo. “Lula, ex-presidiário, quer esconder os crimes de corrupção do seu Governo com fantasias. Quem não teria futuro é o país com a volta da corrupção e da recessão do Governo petista. Lula tem que explicar e pedir perdão ao povo brasileiro pelo assalto a Petrobras e pelas relações espúrias dele com a Odebrecht. Em vez disso, lança cortinas de fumaça para acusar os que tiveram coragem de denunciá-lo”, disse.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.