Genoino reclama de 'julgamento não isento'

José Genoino, ex-presidente do PT, avalia que a condenação que lhe foi imposta pela Justiça Federal reforça sua suspeita sobre uma perseguição que estaria sofrendo de caráter político. Genoino, segundo seu advogado, o criminalista Luís Fernando Pacheco, entende que o novo revés caracteriza "judicialização da atividade partidária".

FAUSTO MACEDO, O Estado de S.Paulo

17 de outubro de 2012 | 03h08

Pacheco informou que o petista, que é réu também na ação do mensalão, "reagiu com tranquilidade" à notícia sobre sua condenação. "(Genoino) levou tudo dentro do mesmo contexto, o de um julgamento não isento", anotou o advogado, que comunicou a Genoino a decisão judicial.

Na semana passada, depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) o condenou por corrupção ativa, na ação 470, Genoino declarou que "a corte errou, condenou um inocente sem provas", com base em " acusação escabrosa que pode prescindir de evidências e testemunhas".

Pacheco destacou que ainda não teve acesso à sentença da juíza Camilo Franco e Silva Velano, mas já adianta que vai apelar ao Tribunal Regional Federal da 1.ª Região (TRF1). "A sentença pode ser reformada", pondera. Ele destacou que a pena de até 4 anos, se confirmada em último grau, pode ser substituída por restritivas de direitos.

O advogado de Genoino afirma que o Ministério Público Federal agiu com incoerência. "Esta ação é um filhote da 470 (mensalão). Teve início em Minas, foi para o Supremo pela prerrogativa de função de Genoino e voltou à primeira instância quando ele deixou de ser deputado. Ocorre que na ação 470 Genoino não respondeu por crimes que agora lhe são atribuídos no contrato com o BMG. No processo de Minas alega-se que o contrato era fictício, uma simulação, portanto ideologicamente falso. Está aí a incongruência do Ministério Público. Na ação do mensalão o MP não apresentou esse tipo de acusação contra Genoino com relação ao Banco Rural."

O criminalista Celso Vilardi, que defende Delúbio Soares, ponderou que só terá condiçãode se manifestar quanto tiver acesso ao teor da sentença.

O BMG, por sua assessoria, informou que por enquanto não vai se pronunciar. O advogado Castelar Guimarães, que representa Ramon Hollerbach, vai recorrer. Para ele, a condenação em Minas não interfere na açãodo mensalão. O advogado Hermes Guerrero, que defende Cristiano Paz, salientou que "cada processo é uma coisa diferente".

/ COLABOROU MARCELO PORTELA

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